segunda-feira, 30 de maio de 2016

Obediência a Deus...

Um homem andava por uma estrada desanimado por achar que não tinha mais forças para vencer, quando de repente uma luz muito forte surgiu no horizonte. Ao se aproximar daquele brilho intenso, ele ouviu uma voz grave. Percebendo que o homem estava assustado, a voz se apresentou:

- Meu filho, Eu sou o seu Deus e tenho uma missão especial para você!

- Uma missão especial? Mas que missão seria essa, Senhor? 

- Sabe aquela rocha que fica ao lado da sua casa?

- Claro que sim, Deus. É uma rocha enorme, quase do tamanho da minha casa.

- Então... A missão que eu quero que você cumpra é essa: faça chuva ou faça sol, empurre aquela rocha todos os dias. Você aceita?

- Sim, Senhor, eu aceito. Vou cumprir o que o Senhor me pede.

Então aquele homem, ainda sem entender, foi para casa e, quando chegou, fez do jeito que Deus havia lhe pedido. Empurrou a rocha com todo o esforço e, assim que suas forças se esgotaram, entrou para descansar. No dia seguinte fez a mesma coisa, e no outro também. Fazia sol, chovia, seu corpo ficava dolorido, mas ele nunca parou de empurrar aquela rocha com toda a força. Depois de algum tempo, o homem começou a ficar chateado, afinal, todo aquele esforço parecia não ter dado resultado nenhum; a rocha não se moveu um milímetro sequer. Ele não entendia o motivo de Deus ter lhe passado aquela missão.

Enquanto questionava os planos do Senhor, Satanás se aproveitou da situação para colocar seus planos malignos em prática. O diabo queria desencorajar e desanimar aquele homem para que ele abandonasse a missão que Deus tinha lhe confiado. Certo dia, enquanto colocava toda a sua força naquela rocha, Satanás soprou em seus ouvidos:

- Ei rapaz, já faz um tempão que Deus mandou você empurrar essa rocha e ela continua no mesmo lugar, não é mesmo?  Ele diz que é o seu Senhor, mas não está nem aí pra você. Você é muito bobo de continuar fazendo esse trabalho. Pare com isso e vá viver a sua vida!

Desanimado, o homem deu ouvido às palavras do diabo e logo outros pensamentos negativos tomaram conta de sua mente. Então ele começou a refletir:

- Poxa, por que eu preciso ficar me matando ao empurrar essa rocha? Eu nunca vou conseguir movê-la! Deus me enganou quando me deu essa missão. À partir de agora, não vou mais empurrar essa rocha com toda a força, como Ele mandou. Vou me esforçar menos e não vou ficar aqui tanto tempo fazendo isso. E mais: quando eu não quiser, nem virei aqui para empurrá-la. Cansei de empurrar essa pedra estúpida e não ver nada acontecer! Mas, ao mesmo tempo, ele pensava:

- Mas será que Deus não vai ficar triste comigo?

Angustiado, o homem resolveu orar a Deus, pois seu coração estava dividido entre aqueles pensamentos ruins e a vontade do Senhor:

- Deus, faz muito tempo que eu tenho empurrado essa rocha com toda a minha força e ela nunca se mexeu! Confesso que isso tem me desanimado muito! Onde eu errei? Por que as coisas não aconteceram como eu achei que iriam acontecer? Por que não vejo os frutos do meu esforço? Por que o Senhor me deixou sozinho nessa missão?

Então Deus respondeu àquele homem:

- Meu filho, quando eu conversei com você na estrada sobre a missão, Eu disse que você tinha que empurrar a rocha com toda a sua força, não foi? Eu nunca disse que você precisava mover a rocha!

O homem, então, respondeu meio envergonhado:

- É verdade, Senhor!

Deus continuou:

- Você veio até mim dizendo que falhou porque não conseguiu mover a rocha, mas isso é mentira de Satanás. Ele te contagiou com as mentiras dele! Você realmente acha que falhou em sua missão?

- Claro que sim, Senhor, pois sei que não fiz um bom trabalho!

E Deus, com muita paciência e amor, lhe disse:

- Meu filho, você não falhou! Olhe para os seus braços. Veja como estão muito mais fortes depois que você começou a empurrar a rocha! Veja as suas pernas, suas mãos, suas costas! Hoje você é um homem muito mais capacitado do que antes, porque me obedeceu. Você escolheu cumprir a missão ao empurrar a rocha com toda força. Eu sabia o quanto você estava se sentindo fraco e o meu propósito era te fortalecer e não fazer com que você tirasse aquela pedra do lugar. Quando Eu precisar mover uma rocha, Eu mesmo a moverei!

Meus irmãos, quando Deus nos dá uma missão, devemos obedecê-Lo e fazer aquilo que Ele nos confiou da melhor maneira possível, por mais que não consigamos enxergar nenhuma mudança. Precisamos perseverar e não deixar que o diabo use suas armadilhas para nos desanimar, pois, com o tempo, Deus nos revelará quais são os Seus propósitos em nossa missão. Então, continue movendo a rocha!

"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão." (1Coríntios 15, 58)

Texto e imagem: Internet

Juventude consumida...

«Consumir a vida por causas nobres»: eis uma oportunidade oferecida aos jovens de hoje, que imersos numa «cultura do consumismo» e «do narcisismo» com frequência vivem insatisfeitos e pouco felizes. Na missa celebrada na manhã de terça-feira 10 de maio em Santa Marta, o Papa Francisco pôs no centro da própria reflexão o testemunho dos missionários – «a glória da nossa Igreja» – propondo-a como modelo para os jovens.

A homilia do Papa foi inspirada pela primeira leitura do dia tirada dos Atos dos apóstolos (20, 17-27), na qual se lê o que – disse o Papa – «poderíamos chamar “a despedida de um apóstolo”». É a passagem na qual «Paulo faz vir a Mileto os presbíteros de Éfeso e diz-lhes que não os verá mais porque deve partir, o Espírito o impele a ir a Jerusalém».

Analisando este texto, vê-se que, antes de tudo, o apóstolo faz um «exame de consciência: “sabeis como me comportei convosco todo este tempo”». É um exame minucioso no qual Paulo «faz uma narração do modo como se comportou» e, num primeiro momento, parece até «que se vangloria um pouco». Na realidade «não é assim», a ponto que ele mesmo acrescenta: «Simplesmente foi o Espírito que me levou a isto». E continua: «Constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém. O Espírito enviou-me aqui para anunciar Jesus e agora envia-me a Jerusalém». Depois do exame de consciência emerge outro elemento: a «docilidade» ao Espírito Santo. É uma despedida na qual Paulo exprime quer «uma nostalgia ao constatar o que o Senhor fez com ele», quer «um sentimento de gratidão ao Senhor».

Este trecho da Escritura, observou Francisco, faz vir à mente «o bonito excerto literário do espanhol Pemán» no qual se lê «a descrição da despedida da vida de são Francisco Xavier no litoral da China. Também ele faz um exame de consciência: sozinho, diante de Deus».

É significativa também a continuação da narração, porque se pode questionar: «O que espera Paulo?». De facto o apóstolo escreve que «vai a Jerusalém “sem saber o que lá acontecerá”». Como um missionário que parte «sem saber o que o espera».Tem a certeza de uma única coisa: «Só sei que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e perseguições». E, comentou o Pontífice, também «o missionário sabe que a vida não será fácil mas prossegue».

Por fim Paulo acrescenta «outra verdade, que faz chorar os presbíteros de Éfeso: “Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós”». Depois, «dá alguns conselhos. Acompanham-no até à embarcação e na praia lançaram-se ao pescoço de Paulo, chorando... Ele despede-se assim» da comunidade de Éfeso, na cidade de Mileto.

«O fim do apóstolo é o fim dos missionários» comentou o Papa. «Penso – explicou – que este trecho» evoque «a vida dos nossos missionários: muitos jovens, moças e moços, que deixaram a pátria, a família e foram para longe, para outros continentes, anunciar Jesus Cristo».

Também eles «eram “constrangidos” pelo Espírito Santo», era a sua «vocação». E hoje, quando naqueles lugares «visitamos os cemitérios» e «vemos as suas lápides», damo-nos conta de que «tantos morreram jovens, com menos de quarenta anos», frequentemente porque não estavam preparados para suportar as doenças locais. Entendemos que estes jovens «deram a vida», «consumiram a vida». Significativa a reflexão de Francisco: «Penso que eles, naquele último momento, distantes da pátria, da família, dos amigos, disseram: “Valia a pena fazer o que fiz!”».

Em recordação destes jovens, «heróis da evangelização dos nossos tempos», considerando que a Europa povoou outros continentes de missionários que partiam sem voltar – e que provavelmente, no seu «último momento», o da «despedida», disseram como Xavier: «Deixei tudo, mas valia a pena!» – o Papa afirmou: «Acho que seja justo dar graças ao Senhor pelo seu testemunho». Alguns morreram «anónimos», outros como «mártires, isto é, oferecendo a vida pelo Evangelho»: são, afirmou Francisco, «a nossa glória estes missionários! A glória da nossa Igreja!».

Face a tais exemplos, o Pontífice dirigiu um pensamento «aos moços e moças de hoje», com frequência em dificuldade na «cultura do consumismo, do narcisismo». E disse-lhes: «Olhai para o horizonte! Olhai para os nossos missionários!». Por isso, acrescentou, é preciso «rezar ao Espírito Santo para que os constranja a ir para longe, a “consumir” a vida» Usou precisamente esta expressão forte, explicando: «É uma palavra um pouco dura, mas a vida vale a pena vivê-la; mas para a viver bem» é necessário «”consumi-la” no serviço, no anúncio; e ir em frente. E esta é a alegria do anúncio do Evangelho».

Concluindo a homilia, o Papa exortou todos a dar graças ao Senhor «por Paulo, pela sua capacidade de ir a um lugar e de o deixar quando o Espírito Santo o chamou para outro», mas também «por tantos missionários da Igreja» que, no passado assim como ainda hoje, tiveram a coragem de partir. O Pontífice convidou também a rezar a fim de que o Espírito entre «no coração dos nossos jovens», onde «há um pouco de insatisfação» e «constranja-os a ir além, a consumir a vida por causas nobres». Provavelmente, disse, disto permanecerá só «uma lápide, com o nome, a data de nascimento, a data da morte; e passados alguns anos ninguém se lembrará deles», mas eles «despedir-se-ão do mundo em serviço. E esta é uma coisa boa!». Eis a invocação final: «Que o Espírito Santo, que vem agora, semeie no coração dos jovens esta vontade de partir e anunciar Jesus Cristo, “consumindo” a própria vida».

Fontes: 
imagem: Internet

cristãos trabalhem pela unidade, fofocas dividem...

Caríssimos leitores e visitantes deste blog, partilho convosco, mais uma homilia, desta vez com um tema muito chamativo e verdadeiro, e nos alerta para a responsabilidade de zelar pela união de todos os crentes em Jesus Cristo. Eis as suas palavras: 

"Jesus, antes da Paixão, reza pela “unidade dos fiéis, das comunidades cristãs” para que sejam uma só coisa como Ele e o Pai, a fim de que o mundo creia”. Com estas palavras do Evangelho do dia, o Papa Francisco iniciou a homilia da missa celebrada nesta quinta-feira, (12/05), na Casa Santa Marta.

“A unidade das comunidades cristãs, das famílias cristãs são testemunho: são o testemunho do fato de o Pai ter enviado Jesus. Talvez, chegar à unidade numa comunidade cristã, numa paróquia, numa diocese, numa instituição cristã e numa família cristã, seja uma das coisas mais difíceis. A nossa história, a história da Igreja, nos envergonha muitas vezes, pois provocamos guerra contra os nossos irmãos cristãos! Pensemos numa, na Guerra dos Trinta Anos.”

Onde “os cristãos incitam guerra entre eles”, afirma o Papa Francisco, ali “não há testemunho”:

Pedir perdão

“Devemos pedir perdão ao Senhor por esta história! Uma história muitas vezes de divisões, não somente no passado, mas também hoje! O mundo vê que estamos divididos e diz: ‘Mas que entrem num acordo, depois vamos ver. Jesus ressuscitou e está vivo e estes seus discípulos não estão de acordo? Uma vez, um cristão católico disse a outro cristão do Oriente, também católico: ‘O meu Cristo ressuscita depois de amanhã. E o seu quando ressuscita?’ Não somos unidos nem mesmo na Páscoa! Isso no mundo inteiro, e o mundo não crê”.

“Foi a inveja do diabo”, explicou o Papa, que fez entrar o pecado no mundo”: assim, também nas comunidades cristãs “é quase habitual” que haja egoísmo, ciúmes, invejas e divisões. Isto leva a falar mal um do outro. Falamos muito mal dos outros! Na Argentina, estas pessoas são chamadas de fofoqueiras: semeiam discórdia, dividem. E ali as divisões começam com a língua, por causa da inveja, ciúmes e também fechamento!

"Moder a língua"

A língua é capaz de destruir uma família, uma comunidade, uma sociedade. É capaz de semear ódio e guerras”, disse o Papa. Ao invés de procurar esclarecer, “é mais cômodo falar mal” e destruir “a fama do outro”. O Papa citou a anedota conhecida de São Filipe Neri que, a uma mulher que tinha falado mal, deu como penitência depenar uma galinha e espalhar suas penas pelo bairro para depois recolhê-las. “Mas não é possível!”, exclamou a mulher. Assim, é o falar mal: 

“O falar mal é assim: suja o outro. Aquele que fala mal, suja! Destrói! Destrói a fama, destrói a vida e muitas vezes, várias vezes!, sem motivo contra a verdade. Jesus rezou por nós, por todos nós que estamos aqui e por nossas comunidades, por nossas paróquias, por nossas dioceses: ‘Que sejam um’.

Peçamos ao Senhor que nos dê a graça, pois a força do diabo, do pecado que nos impulsiona a criar desunião, é muito grande. Que Ele nos dê a graça, que nos dê o dom. Qual é o dom que faz a unidade? O Espírito Santo! Que Ele nos dê este dom que cria harmonia, porque Ele é a harmonia, a alegria em nossas comunidades. Que Ele nos dê a paz, porém com a unidade. Peçamos a graça da unidade para todos os cristãos, a grande graça e a pequena graça de todos os dias para as nossas comunidades, as nossas famílias, e a graça de morder a língua!”

Imagem: Internet
Fonte: http://www.news.va/pt/news/papa-os-cristaos-trabalhem-pela-unidade-as-fofocas

sábado, 30 de abril de 2016

A cidade perfeita...

Há algum tempo, num tema de catequese, fiquei impressionado com a imaginação que os jovens nos podem presentear, refiro me à autora desta história, uma jovem de 15 anos. A ela o meu agradecimento por esta bela história...

"Era uma vez, num futuro longínquo, uma cidade quase perfeita. Não existiam malfeitores ou preguiçosos, não havia poluição, trânsito ou degradação. À primeira vista tudo era perfeito. 
Na cidade quase perfeita, em frente de cada casa estava uma bandeira. As bandeiras podiam ser vermelhas, amarelas, brancas ou negras. E apesar de não ser obrigatório, fazia parte do senso comum, uma habitação ter a sua bandeira. E porquê? E todas as habitações sem excepção a tinham. 
A bandeira, indicava a cor da pele da família que aí vivia. E por existirem bandeiras com quatro cores possíveis é que a cidade era quase perfeita. Assim pensavam os seus habitantes. Mas, seria? 
As pessoas de pele branca só gostavam de bandeiras brancas e orgulhavam-se da bandeira 
que tinham em frente da sua casa. Da mesma forma pensavam as pessoas de outras cores. As crianças de cores diferentes não brincavam juntas, os adultos de cores diferentes diziam "Olá" e "Bom dia", mas a conversa já não chegava ao "como está?". Isto é, na cidade quase perfeita a cor da bandeira seria para identificar quem eram os possíveis amigos. Mas acontecia que, todos os meses, na cidade quase perfeita havia uma reunião com todos os habitantes da cidade. Era liderada pelo Presidente da Câmara e realizava-se, num edifício do tamanho de dois estádios de futebol. O edifício chamava-se, o Individual. Era assim, que se procurava manter a quase perfeição da cidade. “O Individual”, que tinha apenas uma só grande porta simbolizava o poder e a singularidade da cidade. 
Num certo dia de Inverno, caía um forte nevão na cidade quase perfeita, mas nem por isso se adiou a grande reunião. Encontrava-se a cidade em peso no Individual, quando se ouviu um enorme estrondo, algo de sobrenatural. Um milésimo de segundo depois, todo o Individual ficou às escuras, gerou-se o pânico entre as 33000 pessoas que começaram numa correria desenfreada para a grande entrada; só que a porta não abria. Sem ver o seu auditório, o Presidente, com sangue frio, apercebeu-se do perigo da situação: nunca na cidade quase perfeita alguém tinha assistido a uma falha de electricidade; as pessoas atropelavam-se e poderia mesmo haver mortes por esmagamento. 
Rapidamente dá a mão à pessoa que estava a seu lado, que por sua vez percebeu a mensagem: formou-se um grande cordão humano dentro do Individual. “Calma, calma” ouviu-se. Sem olhar à cor da mão em que se segurava, apenas agarrando-a, sabendo que essa mão poderia salvar a sua vida, todos se acalmaram, e a extremidade do cordão ao pé da porta conseguiu arrombá-la. 
Lentamente, a multidão saiu do Individual para a neve gélida. Uma a uma, as pessoas apercebem-se de que a mão que seguravam não era da sua cor. No entanto, agarraram-na com igual força. Dentro do Individual, às escuras, o cordão humano tinha permitido que as pessoas, uma vez cá fora, se apercebessem de que a sua cidade só era quase perfeita. Até àquele dia, ninguém se tinha apercebido de que uma mão negra, branca, amarela ou vermelha tem a mesma força para agarrar, seja às escuras seja às claras."

(Joana Rute, 15 anos) 

  •  Que vos diz esta história? 
  • Que nomes concretos dariam a essas bandeiras? 
  • Que bandeiras coloco eu nos outros? 
  • Que preconceitos tenho eu das pessoas que vejo, na sociedade em que vivo, na minha turma, no meu bairro em que vivo, nas pessoas que eu conheço? 

Fonte: Somos +, Catequese 8.º ano
Imagem: Internet

A cana de bambu

Enquanto era jovem e bonito, o bambu vivia e crescia só para si mesmo e amava somente a sua beleza e bem-estar. Numa palavra, era egoísta. Depois, pelo contrário, despojado de toda a sua beleza, inclusive da sua própria vida, tornou-se num canal, que o Senhor usou para tornar fecundo e fértil os seus campos.


Conta uma antiga lenda chinesa que havia um lindo jardim, onde o seu Senhor costumava passear diariamente quando o calor apertava. Nesse jardim existia um lindo “bambu”, que era sem dúvida a planta mais bonita. Dia após dia, o bambu crescia e tornava-se cada vez mais gracioso. Mas, apesar disso, o bambu sentia que não era feliz... faltava-lhe alguma coisa.
Um dia, o Senhor, muito preocupado, aproximou-se da sua árvore muito querida e o bambu com grande veneração baixou a cabeça. O Senhor disse-lhe: “Meu querido bambu, vou precisar de ti!” O bambu sentiu que tinha chegado o seu momento, o dia para o qual tinha nascido. Com grande alegria, mas baixinho, respondeu: “Estou pronto, Senhor, faz de mim o que quiseres.”
 “Bambu, para servir-me de ti, é necessário abater-te”, disse o Senhor em voz séria.
O bambu ficou assustado e respondeu: “Abater-me, Senhor, depois de me teres tornado na árvore mais bonita do teu jardim? Não, por favor, não faças isso! Usa-me para tua alegria, mas, por favor, não me abatas.”
“Meu querido bambu, sem abater-te não te poderei usar”, disse-lhe o Senhor.
Fez-se um grande silêncio. O vento parou de soprar e os passarinhos de cantar. Então o bambu baixou ainda mais a cabeça e suspirou: “Senhor, se não me podes usar sem que me abatas, então faz de mim o que quiseres.”
 “Meu querido bambu, não devo somente abater-te, mas devo também cortar as tuas folhas e os ramos”, disse-lhe o Senhor.
            “O Senhor, não faças isso comigo... deixa-me ao menos as folhas e os ramos”, suplicou o bambu.
“Se não queres que os corte, não poderei usar-te.” Neste momento o Sol escondeu-se e os passarinhos voaram para longe. Então o bambu, já com uma voz muito fraca, disse: “Senhor, então corta-me as folhas e os ramos, se assim achares necessário.”
 “Meu querido, tenho ainda que fazer uma outra coisa. Devo rachar-te em duas partes e arrancar-te o coração. Se não o fizer, não te poderei usar.”
O bambu ficou sem palavras e baixou a sua linda cabeleira até ao chão.
O Senhor do jardim abateu o bambu, cortou os ramos, tirou as folhas, rachou-o em duas partes e arrancou-lhe o coração. Em seguida levou-o à fonte de água fresca, próxima dos campos secos. Ali, muito cuidadosamente, o Senhor colocou o bambu no chão. Uma extremidade do tronco foi ligada à fonte de água, outra foi virada para o campo seco.
Da fonte jorrava água, a água passava através do bambu oco e chegava alegre ao campo seco que há muito suspirava por aquela água fresca. Em seguida foi plantado o arroz. Os dias passaram, a semente cresceu e o tempo da colheita chegou. Assim o maravilhoso bambu tornou-se uma grande bênção para aqueles campos secos devido à sua grande generosidade e humildade.
Grande e plena foi a alegria do bambu e finalmente sentiu-se realizado. Enquanto era jovem e bonito, o bambu vivia e crescia só para si mesmo e amava somente a sua beleza e bem-estar. Numa palavra, era egoísta. Depois, pelo contrário, despojado de toda a sua beleza, inclusive da sua própria vida, tornou-se num canal, que o Senhorusou para tornar fecundos e férteis os seus campos.
No mês de Novembro, a Igreja cristã lembra todos aqueles que nos antecederam e que foram para nós modelo de pessoas que viveram de acordo com a sua fé. Celebramos a solenidade de Todos os Santos, no dia 1 de Novembro e no dia 2 celebramos a comemoração de todos os Fiéis Defuntos. Geralmente costumamos ir aos cemitérios, enfeitamos as campas e rezamos por todos os membros falecidos da nossa família. Fiéis que, como o bambu, entregaram a sua vida de volta ao Senhor que lha tinha dado e alimentado.
Eu gosto de pensar, nesta altura do ano, que a minha vida foi possível devido aos esforços e à grande dedicação de todos os meus antecessores na fé, que aceitaram usar e dar a sua vida para que outros tivessem vida. Também eu nesse dia lembrarei, de maneira particular, o meu falecido pai, e darei graças a Deus pela sua vida e por tudo aquilo que ele fez por mim. Lembrarei também muitas outras pessoas que ofereceram generosamente a sua vida a Deus para que outros tivessem vida. Recordarei duma maneira particular muitos missionários e missionárias conhecidos, e ainda muitos mais anónimos, que não se pouparam a esforços e sacrifícios para viverem a sua vida duma maneira alegre e simples colocando-se sempre ao lado dos mais pobres e abandonados. Esse foi, sem dúvida, o testemunho de Madre Teresa de Calcutá, só para citar uma missionária conhecida. Pessoas que gastaram todas as suas forças e energias para fortalecerem e confortarem aqueles que mais necessitavam. Por isso eles são para nós modelos de como também nós deveremos viver a nossa vida. São os santos dos dias de hoje.
Há uns dias alguém confidenciava comigo dizendo-me que nos tempos de hoje já não há santos. É mentira. Também existem santos nos nossos tempos. Nós é que muitas vezes não nos apercebemos da sua presença e do seu testemunho. Andamos atarefados com tantas coisas inúteis que temos dificuldade em descobrir nas pessoas que nos rodeiam verdadeiros actos heróicos de santidade. Os nossos olhos já não conseguem ver os santos de hoje.
Lanço-vos um desafio, este mês. Vamos olhar à nossa volta. À volta da nossa família, da nossa paróquia, da nossa escola, do nosso trabalho..., enfim, à volta de todos os ambientes por nós frequentados e vamos tentar descobrir os “santos anónimos” de hoje e as coisas boas que eles fazem. Vamo-nos aperceber das qualidades e dos sacrifícios que muita gente faz para que outros possam viver com alegria. Vamos dar conta de tantos “bambus” que diariamente e no silêncio oferecem a sua vida para que outros possam ter vida, e a ter em abundância.

Para concluir, a história do bambu leva-me imediatamente para o capítulo 10 de S. João, onde podes ler: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o Bom Pastor. Eu dou a vida pelas ovelhas. Ninguém Me tira a vida; Eu dou-a livremente.”

Imagem: Internet

quinta-feira, 31 de março de 2016

Com o coração fechado, a misericórdia não entra...

Somente se o nosso coração estiver aberto, será possível acolher a misericórdia de Deus. Esta foi a exortação que o Papa Francisco fez na manhã de quinta-feira (03/03), na Missa celebrada na Casa Santa Marta.

 Na homilia, Francisco comentou a fidelidade de Deus e a fidelidade do seu povo. Na Primeira Leitura extraída do Livro de Jeremias, o Papa destacou que “Deus é sempre fiel, porque não pode renegar a si mesmo, enquanto o povo não presta atenção à sua Palavra. Jeremias narra de “tantas coisas que Deus fez para chamar à atenção os corações do povo”, mas o povo permanece na sua infidelidade.

Se o coração estiver fechado, a misericórdia de Deus não entra

“Esta infidelidade do povo de Deus – advertiu – e também a nossa própria infidelidade, endurece o coração: fecha o coração!”:

“Não deixa entrar a voz do Senhor que, como pai amoroso, sempre nos pede para abrir-nos à sua misericórdia e ao seu amor. Rezamos no Salmo, todos juntos: ‘Escutem hoje a voz do Senhor. Não endureçam o seu coração!’. O Senhor sempre nos fala assim, inclusive com ternura de pai nos diz: ‘Voltem a mim com todo o coração, porque sou misericordioso e piedoso. Mas quando o coração é duro, não se entende isso. A misericórdia de Deus só é compreensível se você é capaz de abrir o seu coração para que possa entrar”.

“O coração se endurece – retomou o Papa – e vemos a mesma história” no trecho do Evangelho de Lucas, onde Jesus é enfrentado por aqueles que tinham estudado as Escrituras, “os doutores da lei que conheciam a teologia, mas eram tão, tão fechados”. A multidão, ao invés, “estava impressionada”, “tinha fé em Jesus! Tinha o coração aberto: imperfeito, pecador, mas o coração aberto”. 

Pedir perdão

“Estes teólogos”, acrescentou o Papa, “tinham um comportamento fechado! Sempre buscavam uma explicação para não entender a mensagem de Jesus”, pediam-lhe um sinal do céu. Sempre fechados! Era Jesus que tinha de justificar aquilo que fazia”: 

“Esta é a história, a história daquela fidelidade falida. A história dos corações fechados, dos corações que não deixam a misericórdia de Deus entrar, que se esqueceram da palavra ‘perdão’, perdoa-me Senhor, simplesmente porque não se sentem pecadores: se sentem juízes dos outros. Uma longa história de séculos. Esta fidelidade falida, Jesus a explica com duas palavras chaves, para colocar fim, para terminar o discurso desses hipócritas: Quem não está comigo, está contra mim. Ou você é fiel, com o seu coração aberto, ao Deus que é fiel a você ou você está contra Ele: ‘Quem não está comigo, está contra mim’.”

Fidelidade a Deus

“Mas é possível um meio termo, uma negociação”, se pergunta o Papa. “Sim”, é a sua resposta. “Existe uma saída: se reconheça pecador! Se você diz: sou pecador, o coração se abre e entra a misericórdia de Deus e você começa a ser fiel: 

“Peçamos ao Senhor a graça da fidelidade. O primeiro passo para caminhar nesta estrada da fidelidade é sentir-se pecador. Se você não se sente pecador, você começou mal. Peçamos a graça para que o nosso coração não se endureça, que seja aberto à misericórdia de Deus e à graça da fidelidade. Peçamos, nós, infiéis, a graça de pedir perdão.” (BF/MJ)


Fonte: http://www.news.va/pt/news/papa-se-o-coracao-esta-fechado-a-misericordia-nao
Imagem: Internet

A esperteza do mal

Em data previamente marcada, reuniu-se a Conferência Mundial dos Demónios. Na agenda, o planejamento estratégico para os próximos dez anos. O tema andava a ser estudado há algum tempo. Tomando a palavra, Lúcifer, o chefe, observou:
- Não podemos impedir os cristãos de ir à igreja, nem podemos impedir que leiam a Bíblia ou batizem os filhos. Mas, uma onda de religiosidade varre o mundo e se não dermos um basta!, em breve seremos derrotados. 
De seguida, explanou um ambicioso plano: 
- Vamos deixá-los ir à igreja, ler a Bíblia, batizar os filhos, frequentar almoços beneficentes, ajudar obras assistenciais… mas vamos roubar-lhes o tempo. E para isso, devemos encher-lhes a vida de tantas atividades até que não tenham mais tempo para Deus ou para as coisas de Deus. Façam isso. Ocupem todos os espaços do tempo deles, cultivem neles a ambição ilimitada por bens e riquezas, para que adotem um estilo de vida que jamais será saciado. É preciso ainda incentivá-los a ter pressa, a concorrerem entre si e o gostar de muito ruído, para que desviem a atenção do que é realmente importante. Para isso, é bom semear nas casas o gosto pela novidade, com muito conteúdo superficial, que os deixem confusos.
O diabo continuou:
- É interessante ainda difundir a preocupação com a forma física, para que eles sigam os modelos da moda e sacrifiquem a saúde em nome de uma estética rigorosa e incansável. Nas datas especiais, como o Natal e a Páscoa, precisamos de os incentivar a cultuar Pai Natal e o coelhinho da Páscoa, para que sintam uma necessidade ilimitada de dar e receber presentes. E, assim, vamos encher a vida deles de tantas coisas que, simplesmente, não haverá lugar para Deus.
Uma grande salva de palmas saudou a proposta de Lúcifer. Ninguém na plateia duvidava de que o plano teria muito sucesso.

No passado, existia muita preocupação com o ateísmo, a explícita negação de Deus. Hoje, os ateus são poucos. As pessoas até acreditam em Deus, mas vivem como se Ele não existisse. Na escala de valores, no lugar de Deus, as pessoas colocam o dinheiro, o bem-estar e a preocupação com as coisas materiais.
Ora, se Deus é mesmo importante para nós, devemos ser capazes de lhe dedicar um tempo razoável, que terá um espaço nobre do nosso dia. Se for realmente importante para nós, comecemos hoje mesmo. E deixemos para lá o diabo e o seu planeamento estratégico.

Para refetir:
Qual é o grande pecado do nosso tempo?
Na hierarquia dos valores que temos na nossa vida, o que colocamos em primeiro lugar?

Fonte: Do jeito certo, Dom Itamar Vian e Frei Aldo Colombo
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