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domingo, 4 de setembro de 2016

Recebe-o, não já como escravo, mas como um irmão muito querido... (Fl 9b-10.12-17)

Texto da Carta que São Paulo escreve a Filémon, e que é riquíssima. Partilho convosco esta reflexão extraída de um site que eu aconselho vivamente a ser visitado...

"Caríssimo:
Eu, Paulo, prisioneiro por amor de Cristo Jesus,
rogo-te por este meu filho, Onésimo, que eu gerei na prisão.
Mando-o de volta para ti, como se fosse o meu próprio coração.
Quisera conservá-lo junto de mim,
para que me servisse, em teu lugar,
enquanto estou preso por causa do Evangelho.
Mas, sem o teu consentimento, nada quis fazer,
para que a tua boa acção não parecesse forçada,
mas feita de livre vontade.
Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo,
a fim de o recuperares para sempre,
não já como escravo, mas muito melhor do que escravo:
como irmão muito querido.
É isto que ele é para mim
e muito mais para ti, não só pela natureza,
mas também aos olhos do Senhor.
Se me consideras teu amigo,
recebe-o como a mim próprio."


A Carta a Filémon é a mais breve e pessoal das cartas de Paulo. É endereçada a um tal Filémon, aparentemente um membro destacado da Igreja de Colossos.
A partir dos dados da carta, podemos reconstruir as circunstâncias em que o texto aparece. Onésimo, escravo de Filémon, fugiu de casa do seu senhor. Encontrou Paulo, ligou-se a ele e tornou-se cristão. Paulo, que nessa altura estava na prisão (em Éfeso? Em Roma?), fê-lo seu colaborador e manteve-o junto de si. No entanto, a situação podia tornar-se delicada se Filémon se ofendesse com Paulo; e, do ponto de vista legal, ao dar guarida a um escravo fugitivo, Paulo era cúmplice de uma grave infracção ao direito privado. Enfim, Onésimo corria o risco de ser preso, devolvido ao seu senhor e severamente castigado.
É neste contexto que Paulo resolve enviar Onésimo a Filémon. Onésimo leva consigo uma carta, em que Paulo explica a Filémon a situação e intercede pelo escravo fugitivo. Com extrema delicadeza, Paulo insinua a Filémon que, sendo possível, lhe devolva Onésimo, já que este lhe vem sendo de grande utilidade; no entanto, Paulo pede, sugere, mas sem impor nada e deixando a decisão nas mãos de Filémon.
É um texto belíssimo, carregado de sentimentos, “verdadeira obra-prima de tacto e de coração”.


Fonte: http://www.dehonianos.pt/dia-liturgia/23o-domingo-do-tempo-comum-ano-c/?mc_id=892 
Imagem: Internet

Quem não renunciar a todos os seus bens não pode ser meu discípulo (Lc 14, 25-33)

As palavras que vamos encontrar no texto bíblico mais abaixo, podem levar-nos a pensar que o que Jesus nos pede é quase impossível de realizar; pede-nos para deixar pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs e até à própria vida, caso contrário não podemos ser seus discípulos. Na reflexão que hoje o sacerdote fez deste texto bíblico, ajudou a esclarecer-me sobre este recado que Jesus nos dá. Jesus não nos pede para deixarmos de amar, todas essas pessoas de que fala, mas sim para O colocarmos em primeiro lugar. Porquê? porque se nos apoiarmos apenas nas pessoas de quem amamos, vamos correndo o risco de vivermos uma vida que terminará, pois à medida que vão partindo, vamos deixar de sentir o seu apoio, e chega-se à conclusão de que a vida não teve sentido. Por isso, é a Ele, que devemos colocar no primeiro lugar das nossas vidas, pois Ele é o princípio, o centro e a meta, para essa caminhada que vamos fazendo. Ele é a salvação... Eis o texto do Evangelho de São Lucas:

"Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.» (Lc 14, 25-33)"

Estrutura Pessoal do Cristão*

E o que é que diferencia o discípulo de Cristo de um não crente? O que é que a sua fé acrescenta à realidade quotidiana e prosaica da vida humana? O cristão, chamado a participar na vida de Cristo e, de facto, já filho adoptivo de Deus pelo dom do Espírito, é a Jesus que segue, como modelo, até chegar à identificação com Ele. Ser cristão significa revestir-se de Cristo e ter os mesmos sentimentos, atitudes e acções na vida. No cristão verdadeiro nota-se uma visão da vida, do homem, do mundo e dos problemas humanos sob uma luz diferente; é a fé pascal. Nota-se uma estabilidade anímica que vence a mesquinhez e o desespero, uma paz que se sobrepõe às dificculdades e ao desânimo, uma alegria que supera a tristeza e o mau humor. Tudo isso é fruto da esperança cristã. E, sobretudo, o mais atraente do seu perfil é a abertura aos outros, o acolhimento sem descriminação, a disponibilidade e a partilha com os outros - especialmente com o mais humilde - dos seus bens, tempo e pessoa. Isso é a vivência da caridade e da fraternidade em Cristo. Estas três atitudes básicas do discípulo: fé robusta, esperança alegre e caridade ardente, constituem a estrutura pessoal do cristão, a sua vida nova em Cristo, a chamada vida "teologal", a sua existência em Cristo, pois a sua vida é Jesus ressuscitado, vencedor do pecado e do tudo que produz a morte. Ser testemunha dessa vida é honra e dever do cristão.

Fonte: *Diário Bíblico 2010
Imagem: Internet

domingo, 10 de julho de 2016

Não há Cristianismo sem amor ao próximo...

Hoje, ao ouvir e depois de voltar a ler novamente esta passagem bíblica, ficou mais destacada na minha memória a segunda pergunta que o doutor da lei faz a Jesus: "E quem é o meu próximo?" (Lc 10, 29). Embora eu já esteja farto de saber que o meu próximo é todo aquele ou aquela que se cruza comigo, seja familiar, mais ou menos amigo, ou até mesmo um desconhecido. A liturgia de hoje fez com que eu meditasse e chegasse à conclusão que se eu já interpretei o papel do (bom) samaritano, também reconheço que muito mais vezes agi como o sacerdote e o levita, ou seja que passaram ao lado e nada fizeram. Senhor, peço-Te perdão, por todas as vezes que fiquei de braços cruzados.

Palavra:
Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?» Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?» O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.» Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.’ Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?» Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.» (Lc 10, 25-37)

Reflexão:
Se algum texto bíblico fala por si mesmo, é o de hoje. Belo resumo de todo o Evangelho de Jesus, porque amar o irmão é próprio e característico do discípulo de Cristo. A prática eficaz e indivisível do amor a Deus e ao próximo, sem restrições nem exclusivismos é que define a religião que Jesus fundou. "Dou-vos um mandamento novo: que vos amei uns aos outros como eu vos amei. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13, 34s): Cristo é o bom samaritano que ama a humanidade caída. A Sua pessoa e o Seu exemplo enviam-nos continuamente ao mundo em missão de amor, um amor que dá vida. Este é, portanto, o testemunho mais directo e válido. Amar é a sabedoria da vida, porque é viver autenticamente. Mas, infelizmente, de tanto ouvir e não praticar o mandamento do amor fraterno, parece que ele se nos escapa e amolece. Contudo, o que ama verdadeiramente a Deus leva muito a sério o homem. E o que ama o irmão vai a direito, sem rodeios nem desculpas para passar ao largo do necessitado que se cruza no caminho, quem quer que sejam, sem ligar à classe social, língua, raça, cor, religião, partido ou ideologia. Para Jesus, o que conta é o amor comprometido: "Vinde benditos de meu Pai... O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequenos, foi a Mim que o fizestes" (Mt 25, 40).

Imagem: Internet
Reflexão retirada do Diário Bíblico 2010

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Os teus pecados são perdoados (Mt 9, 1-8)

É sempre importante ouvirmos dizer aos nossos familiares e amigos, palavras que nos dêem estímulo, confiança, enfim sentir-mo-nos queridos e amados... mas hoje ao meditar esta passagem bíblica (que por acaso, até é a leitura do Evangelho deste dia), fiquei mais animado com esta afirmação do próprio Jesus: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados.» (Mt 9, 2), esta frase dita ao paralítico, foi hoje especialmente dirigida para mim. Jesus como é bom sentir que sou perdoado (desculpado) por tudo aquilo que fiz e não devia ter feito, e por tudo aquilo que não fiz e deveria ter feito. Mas para que eu receba o perdão dos meus pecados, é preciso que eu faça a minha parte, ou seja, que eu reconheça os meus erros, as minhas fragilidades, a minha pequenez e me arrependa... tudo o resto é feito por Deus, na Pessoa do Seu Filho que também é Deus, Jesus.

Palavra:
"Depois disto, subiu para o barco, atravessou o mar e foi para a sua cidade. Apresentaram-lhe um paralítico, deitado num catre. Vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados.» Alguns doutores da Lei disseram consigo: «Este homem blasfema.» Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Porque alimentais esses maus pensamentos nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados te são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e anda’? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder para perdoar pecados - disse Ele ao paralítico: ‘Levanta-te, toma o teu catre e vai para tua casa.» E ele, levantando-se, foi para sua casa. Ao ver isto, a multidão ficou dominada pelo temor e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens." (Mt 9, 1-8)

Reflexão:
O milagre relatado é fruto da fé do doente e da comunidade em que vive com os seus familiares e amigos. Ele vai evidenciar também o processo de salvação integral do homem mediante o perdão que Jesus lhe outorga. Ao perdoar-lhe os pecados, está a curá-lo também da sua enfermidade, porque esta, segundo a mentalidade judaica, era consequência do pecado.
A reação, não expressa por certo, dos doutores da lei ali presentes é de suposto escândalo, pois para eles, só Deus pode perdoar pecados. Mas Cristo não se desdiz, pelo contrário, para provar que Ele como messias, tem esse poder exclusivo de Deus, e para comprovar que os pecados do doente estão efectivamente perdoados, ordena-Lhe: "Levanta-te, toma a tua maca e vai para casa". Desta maneira, mediante o dado visível da cura, os escribas vêem desfeita a sua objecção ao acto invisível do perdão dos pecados por Jesus. 

Fonte: A reflexão foi retirada do Diário Bíblico de 2010
Imagem: Internet