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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Porque não se fala tanto deste tipo de notícias?...

Libby Osgood, engenheira espacial da NASA, deixa tudo para ser uma freira católica, depois de conhecer o diretor do Observatório do Vaticano

"A maioria dos cientistas e engenheiros são ateus. Aqueles que têm fé são um pouco mais discretos sobre isso ... Foi muito difícil admitir que o que eu realmente queria fazer era ir contra a corrente e poder expressá-la aos outros ... Mudança, dizer aos outros que sempre carreguei cruzes, que sempre fui à missa tem sido um segredo, mas admitir às pessoas que a Igreja e Deus são uma parte muito importante da minha vida é algo que eu não tinha feito ... Eu me sinto tão cheio. Sinto como se estivesse espalhando muitos pedaços de quebra-cabeças antes e agora todos se encaixam. Com a perspectiva da ciência e da religião, estou aprofundando minhas duas paixões e vendo como outras pessoas se juntaram a elas "

6 de setembro de 2017. (ACI/Catholic Path) Libby Osgood trabalhou como engenheiro aeroespacial na NASA e como professor em uma universidade nos Estados Unidos até que ela decidiu deixar tudo como religioso. O 26 de agosto passado, esta engenheira de 34 anos entrou como novato na Congregação de Notre Dame , cujo carisma é educação, momento que forma a fotografia superior.

Falando para a CTV News, Osgood disse que tomou um período sabático de sua posição como professor na Universidade da Ilha do Príncipe Eduardo (UPEI) para se concentrar em seu noviciado. Esta mulher canadense também possui doutorado em engenharia mecânica e ensinou mais de 12 cursos em sua especialidade.

Osgood começou a trabalhar como engenheiro de sistemas na NASA quando tinha 23 anos. Seu primeiro trabalho foi garantir que os cientistas preenchessem os documentos necessários para verificar se um satélite estava sendo lançado conforme o planejado.

Mais tarde, ela cresceu em sua carreira, mas ela não professou ou praticou sua fé no trabalho, pois este era um assunto que não se podia falar abertamente. Ela mesmo teve que colocar sob suas roupas o crucifixo que ele herdou de sua avó.

"Eu acho que a maioria dos cientistas e engenheiros são ateístas. Aqueles que têm fé são um pouco mais discretos sobre isso", ele diz e diz que sentiu que falar sobre servir a Deus era quase "contra-cultural".

Em 2010, Osgood voltou para o Canadá e se instalou na cidade de Charlottetown, onde a NASA tem uma estação espacial. Lá, ele também começou a ensinar na Universidade da Ilha do Príncipe Eduardo.

A jovem disse que se sentia apoiada pela comunidade católica de Charlottetown e que isso a ajudou a não ter medo de expressar sua fé.

"Eu acho muito difícil admitir que o que ele realmente queria fazer era ir contra a corrente e poder expressá-la para outros", disse ela .

"Mudar, dizer aos outros que sempre carreguei cruzes, que sempre fui a missa nunca foi um segredo, mas admitir às pessoas que a Igreja e Deus são uma grande parte da minha vida é algo que eu não fiz " Relata CBC News.

Em 2012, Osgood começou a considerar o chamado à vida religiosa. Uma das experiências que marcaram sua fé e a ajudou a tomar uma decisão em relação à sua vocação foi quando o Irmão jesuíta Guy Consolmagno, PhD em Ciências Planetárias, um astrônomo e atual diretor do Observatório do Vaticano, visitou a cidade.

 Ao ouvir isso, a jovem poderia abrir sua mente à ideia de que "a ciência e a religião podem coexistir". Ela admite que teve dúvidas sobre se tornar religiosa porque "eu gostava muito de engenharia, mas percebi que eu poderia ser engenheira e freira de cada vez. Eu posso fazer essas duas coisas e viver minha vida de forma mais completa ", disse ela à CTV News.

Osgood disse que quando anunciou sua decisão de ser religiosa, outros cientistas que acreditavam em Deus enviaram suas mensagens de apoio.

A jovem canadiana estará durante dois anos fazendo o noviciado na casa da Congregação de Notre Dame em Nova York e depois de fazer votos, ela planeja retornar a Charlottetown para desenvolver seu trabalho pastoral como religiosa e retomar seu trabalho como professor na UPEI.

O religioso diz que, embora possa haver uma mudança muito radical na passagem do ensino da ciência para viver em um convento, acredita que o estudo científico e espiritual é complementar e ambos são expressões do amor de Deus.

"A razão pela qual estamos interessados ​​na ciência é porque vimos as estrelas e nos perguntamos o que era", ele diz e diz que ao unir a religião e a ciência "você obtém uma imagem melhor".

"Eu me sinto tão cheio. Sinto como se estivesse espalhando muitos pedaços de quebra-cabeças antes e agora todos se encaixam. Com a perspectiva da ciência e da religião, estou aprofundando minhas duas paixões e vendo como outras pessoas se juntaram a elas ", diz ele .


domingo, 7 de agosto de 2016

Testemunho de uma “cidade esquecida”... uma notícia que deveria ser muito mais divulgada...

Terminou à uma semana, mais uma Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, na Polónia, onde se reuniram na sua maior parte, jovens, vindos dos mais variados pontos do globo.
Este evento que decorre desde o ano de 1986, em Roma (Itália), tem como objetivo reunir os jovens do mundo inteiro, para celebrar e aprender sobre a fé católica, para conhecer melhor a doutrina católica e para construir pontes de amizade e esperança entre continentes, povos e culturas, além de compartilhar entre si a vivência da espiritualidade. Apesar de ser organizado pela Igreja Católica, é um convite a todos os jovens do mundo inteiro. 

Partilho convosco este testemunho que li, de uma jovem, que com este testemunho faz com que muitas pessoas, pensem duas vezes quando dizem ter problemas... estou apenas a falar da minha vida pessoal, e ainda, que existe esperança para o mundo, com estes testemunhos que infelizmente são tão pouco divulgados...   

'Rand Mittri, uma estudante universitária de Aleppo, na Síria, tinha contado como é o dia-a-dia na sua cidade, uma “cidade esquecida”, como lhe chamou.

“Todos os dias vivemos rodeados de morte”, disse Rand, explicando que, mesmo assim, todos os dias continuar a ir à escola e a ir para o trabalho, mesmo com o medo de que, no regresso, a casa já não exista ou algum familiar tenha morrido.

“Deus onde estás? Existes?” são perguntas que todos os dias Rand coloca. Ela que pertence à juventude salesiana e foi a Cracóvia em representação dos muitos jovens que não podiam ir para contar a história de conhecidos e amigos. Do miúdo que morreu na paragem onde esperava o autocarro para ir à catequese, do casal que morreu soterrado pela própria casa, de um amigo mais próximo e que lhe embargou a voz.

“Esta guerra destrói o nosso mundo, os nossos sonhos e esperanças”, disse Rand Mitri, obrigada a crescer “antes do tempo” e que, no meio da guerra e das dúvidas, vê Deus “todos os dias” naqueles que trabalham para ajudar os outros, “nos pais que não desistem até ter comida para dar aos filhos”.

“Deus existe até através da nossa dor”, afirmou a jovem que encontra na fé em Cristo a razão da sua alegria e da sua esperança. “É uma alegria que ninguém me pode roubar”, concluiu Rand.

Depois de ouvir o testemunho desta jovem síria que falou da guerra na cidade de Aleppo, o Papa Francisco disse que o sofrimento e a guerra naquele país tinham deixado de ser uma notícia de jornal e apelou à oração.

“Para nós, hoje e aqui, provenientes de diversas partes do mundo, o sofrimento e a guerra que vivem muitos jovens deixaram de ser uma coisa anónima, para nós já não são uma notícia de imprensa, têm um nome, um rosto, uma história, fizeram-se próximos. Queridos amigos, convido-vos a rezar juntos pelo sofrimento de tantas vítimas da guerra, desta guerra que há hoje no mundo, para podermos compreender, uma vez por todas, que nada justifica o sangue dum irmão, que nada é mais precioso do que a pessoa que temos ao nosso lado”, disse o Papa no Campo da Misericórdia, o local onde decorre a fase final desta JMJ.

A oração e a fraternidade são a única resposta a dar, acrescentou o Papa. “Não vamos pôr-nos a gritar contra ninguém, não vamos pôr-nos a litigar, não queremos destruir, não queremos insultar. Não queremos vencer o ódio com mais ódio, vencer a violência com mais violência, vencer o terror com mais terror. A nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade, chama-se irmandade, chama-se comunhão, chama-se família”, disse Francisco, pedindo um tempo de silêncio e oração.'

Fonte: http://rr.sapo.pt/noticia/60270/?utm_source=rss
Imagem: Internet





sábado, 30 de julho de 2016

Entrevista a Fernando Santos

Caríssimos leitores do blog, hoje partilho convosco, uma entrevista de alguém que recentemente ficou com mais notoriedade (especialmente entre o povo português), ao ser o timoneiro da seleção portuguesa, que recentemente conquistou o Europeu de Futebol de Seleções, que terminou faz hoje precisamente vinte dias. Não é comum se encontrar pessoas numa posição de destaque, dadas as circunstâncias e que admitam sem rodeios a sua crença e a sua fé. Dizia há pouco que Fernando Santos foi o timoneiro da conquista, mais mais importante foi ele deixar que o Jesus Cristo, fosse o seu Timoneiro. Através desta postagem, agradeço ao engenheiro Fernando Santos o seu testemunho e envio-lhe pessoalmente um grande abraço.

"A maioria dos portugueses ficou a conhecer Fernando Santos enquanto homem de fé com o discurso que proferiu depois de se ter sagrado campeão europeu por Portugal, no passado dia 10 de julho. Na altura, agradeceu "em primeiro lugar e acima de tudo" a Deus Pai, por aquele momento e por tudo na vida.
Para os jovens da diocese que participaram na tertúlia "Conversas C'afé", organizada pela Pastoral Juvenil diocesana, no final de 2012, o testemunho de fé que o selecionador nacional deu após a conquista do europeu de futebol não foi uma novidade.
Há cerca de quatro anos atrás, o engenheiro do título português já tinha falado com os jovens da diocese sobre como a fé em Cristo ressuscitado mudou a sua vida.
O PRESENTE recupera agora essa diálogo, que à luz da assertividade na fé demonstrada pelo técnico português no Euro 2016, se renova de atualidade.

Fernando Santos foi tema das conversas em muitos cafés do país durante o último europeu de futebol, sobretudo por ter mostrado uma certeza tão grande num final vencedor, depois de uma primeira fase que fazia levantar algumas vozes críticas dos adeptos portugueses. Essa convicção era mais que uma fezada e estava sustentada numa fé que caracteriza o engenheiro do primeiro título da seleção nacional de futebol sénior. Em 2012, antes de ser conversa nas mesas de café, sentou-se para beber um café com os jovens da Diocese e falar-lhes de fé: da sua e de como ela é importante na sua vida.

O QUE É SER CRISTÃO COMPROMETIDO?
Ser cristão comprometido é, a partir do momento em que conhecemos Cristo, comprometermo-nos com Ele e seguir em frente. Essa é a minha obrigação e uma afirmação clara, sem presunção, de quem sabe o porquê de querer estar com Ele e porque é que Ele é tão importante na minha vida. Costumo dizer que não há ciclistas que não pedalam e eu, como quero ser um ciclista de Cristo, tenho de pedalar.

FALOU SEMPRE DESSA FORMA TÃO ASSERTIVA SOBRE A FÉ?
Já passei tanta coisa... (risos). Fui batizado no dia 16 de janeiro de 1955. Hoje, sei, mas durante 40 anos não soube quando tinha sido batizado. Fiz a primeira comunhão com sete anos e aos oito fui crismado. Tenho os papéis guardados... fui à procura deles no momento em que a minha vida se alterou nestas questões da fé. A partir dos oito anos, eu ia à Missa mais para ver as miúdas que para ouvir o que o padre estava a dizer. Mas como eu gostava muito de jogar futebol, e nasci numa família que, sendo cristã, não era  praticante, mas era muito praticante de futebol, porque não perdiam um jogo. O meu pai, aos sábados e domingos, ia sempre ver os jogos do Benfica. Eu nasci no dia 10 de outubro de 1954 e no dia 1 de dezembro desse ano foi inaugurado o Estádio da Luz e o meu pai levou-me lá, numa alcofa, portanto, eu era um aficionado militante do futebol. Ao sábado e ao domingo, eu não tinha tempo para essas coisas da Igreja... Passei para o futebol e deixei-me disso, completamente e, durante muito tempo, fui à Igreja talvez umas 70 vezes... Fui quando casei, quando batizei os meus filhos, quando fui padrinho e depois em mais uns casamentos de amigos, mas passei um hiato total.

COMO FOI ESSE PERÍODO?
Há uns tempos, visitei uma exposição com o tema "A fé e a fé cristã", onde se passava por um túnel escuro. No final, perguntaram-me o que mais me tinha tocado na experiência e eu respondi que tinha sido a passagem por aquele túnel escuro. Aquela escuridão foi por onde eu passei durante praticamente 32 anos. Com muitas nuances, desde pôr tudo em causa, até porque eu estava na faculdade quando aconteceu o 25 de abril de 1974 e nessa altura tudo se pôs em causa... Mas pronto, eu hoje reconheço que a semente do Batismo estava cá dentro e consigo perceber porque é que nunca consegui adormecer sem antes rezar as orações que ainda hoje faço. Durante todos estes anos, pelo menos uma vez por ano, ia a Fátima. Fiz esse percurso todo: de fezada e de afastamento...

ATÉ QUE UM DIA...
Até que um dia um amigo meu me convidou para ir à inauguração de uma clínica de toxicodependentes e eu fui. Estava lá um sacerdote, que no fim me pediu se lhe dava boleia até Cascais. Eu disse-lhe que sim e, quando íamos quase a chegar ao destino, eu perguntei-lhe se queria ir almoçar um dia comigo, para podermos falar sobre "as coisas da fé". Ele aceitou e, nesse encontro, ele levou um livro, que me ajudou muito e que talvez tenha sido o meu primeiro passo, que se chamava "A Fé Explicada". Conversámos, eu fui para casa e li o livro e depois, mais por simpatia ao sacerdote, eu comecei a frequentar a Missa. Não comungava, mas ia lá, até porque, muitas vezes, depois da celebração, ia almoçar com ele e falávamos novamente sobre a fé. Na altura, eu achava que tinha dado um passo fantástico de aproximação à Igreja...

NÃO FOI DESSA?
Passados uns meses, eu achei que devia comungar também, uma vez que todas as pessoas o faziam. Fui ter com o meu amigo sacerdote e disse-lhe que queria falar com ele sobre esse assunto, mas que não me queria confessar. A verdade é que conversámos tanto que acabei por me confessar. Foi o segundo passo da minha caminhada. Aí, tinha eu 38 anos, já me predispunha a caminhar um bocadinho mais, mas sempre com aquela racionalidade de quem quer perceber tudo.

QUAL FOI O PASSO SEGUINTE?
Havia uns amigos meus que me estavam sempre a convidar para fazer um Curso de Cristandade e eu recusei sempre, até que, em março de 1994, tinha eu sido despedido do Estoril Praia, ao fim de 20 anos no clube. Aquilo para mim foi terrível... Nessa altura, os meus amigos voltaram à carga. Foram lá a casa e disseram-me que ía haver um Curso de Cristandade na semana seguinte. Eu comecei a pensar: "porque é que não vou? São só três dias e até aproveito para pensar a minha vida." Acabei por ir.

FOI AÍ QUE SE DEU A VIRAGEM?
Quando se descobre que Cristo está vivo, a nossa vida muda... E não há alternativa se não comprometermo-nos com Ele. Eu descobri isso num Curso de Cristandade, aos 40 anos, num encontro que decorreu de 16 a 19 de março de 1994.

NÃO SE ESQUECE DESSA DATA?
Nunca, está ali a minha data (aponta para um crucifixo que, ao chegar, deixou em cima da mesa). No último dia, recebi aquele crucifixo que ali está e disse-Lhe que podia contar comigo para sempre... E ter um amigo destes é fantástico!

NUM ENCONTRO DE TRÊS DIAS, QUANDO É QUE SENTIU A MUDANÇA?
Acho que foi logo no primeiro dia, que comecei a 'levar porrada que me fartei' (risos). Falavam a mesma língua que eu, mas havia muita coisa que eu não percebia. Civilização do amor? Que é isso? Foi ali que descobri que o amor existe, através do meu próximo. Quando me disseram: "Cristo és tu", eu fiquei admirado, mas descobri que é verdade, Cristo é cada um de nós. A nossa fé muda quando descobrimos que aquele que está ao nosso lado é Cristo. São Paulo disse isso de uma forma muito clara, a fé é no Ressuscitado. Senti, isso, de uma forma clara, no dia que me joelhei junto ao Sacrário, logo ao segundo dia. No dia que eu falei com Ele a sério, pela primeira vez, a minha vida mudou, porque eu percebi que ali estava alguém que me amava, me escutava e me entendia os problemas, dificuldades e dúvidas.

E SENTIU-SE DEPOIS UM HOMEM DE FÉ?
Tenho consciência de que nunca vou ter fé, porque ter fé é obediência total a Cristo e eu não sei se alguma vez serei capaz. Isso é um processo muito difícil, mas tenho uma confiança muito grande n'Ele e vou tentando, cada dia, dar mais de mim mesmo.

ESSA EXPERIÊNCIA FEZ-LHE VER O MUNDO COM OUTRO SENTIDO?
Claramente. As mudanças não se explicam e a fé não tem explicação. Há alguma racionalidade e compreensão necessária, mas há coisas que não se explicam, sentem-se. A Trindade, por exemplo, nunca serei capaz de a definir, mas acredito nela. Portanto, se nós não conseguimos ter esta convicção, dificilmente nos podemos mudar, para mudar os outros e o mundo. Foi isso que eu procurei fazer a partir daqui, com os defeitos que continuo a ter, mas procuro mudar-me para que, à minha volta, alguma coisa possa acontecer.

DEPOIS DE TER FEITO O CURSO DE CRISTANDADE, OLHOU DE OUTRA FORMA PARA OS SACRAMENTOS QUE TINHA RECEBIDO?
Antes, eu nem sabia o que eram Sacramentos. Depois de sair do curso de cristandade, uma das primeiras coisas que fiz foi ir à procura da minha data de Batismo, quando tinha recebido a Primeira Comunhão, quando tinha recebido o Crisma. Antes, eu não sabia o que tinha feito. O primeiro, tinha três meses, não me lembrava. Os outros, fiz porque era giro... Todos faziam e eu também fiz. Não me lembro de nada. Houve dois Sacramentos na minha vida porque vivi com grande convicção: Matrimónio e o Batismo dos meus filhos. Hoje, percebo perfeitamente a graça que tinha dentro de mim e que recebi no meu Batismo, mas na altura, antes de fazer o curso de cristandade, não entendia isso.

EM QUE É QUE O FERNANDO SANTOS MUDOU?
Passei a estar mais atento e a ver as coisas e tudo partiu de um encontro com Cristo que mudou a minha vida. Deus chama-nos a qualquer hora do dia, mas paga sempre por igual. Um dia, Ele chamou-me de uma maneira, a outros chamará de outra. Um outro aspeto é que comecei a participar na Eucaristia e deixei de ir à Missa (risos). Comecei a fazer parte de movimentos a integrar-me na Igreja, a ser leitor, a ajudar na preparação de batismos... Mas muito mais importante que isso foi a minha transformação, que acabou por transformar o mundo em meu redor: no meu trabalho, na minha casa.

SENTIU ALGUM ATRITO DAS PESSOAS EM RELAÇÃO A ESSA MUDANÇA?
Há sempre algum atrito. Mas isso é que é mudança, quando os outros percebem que eu mudei.

COMO ENFRENTA AGORA OS PROBLEMAS E OS DESAFIOS QUE SE LHE DEPARAM?
Com muito mais coragem. Não tenho medo da morte porque sei que vou ressuscitar. Na vida, eu sei que Ele está comigo, no bem e no mal. A grande diferença é que, antes, eu pedia e se me saísse bem, agradecia, quando me saía mal, não dizia nada. Agora, ofereço o meu dia ao acordar e à noite agradeço-Lhe, independentemente de como me corre o dia.

QUE LUGAR OCUPA A ORAÇÃO NO SEU DIA-A-DIA?
A oração é fundamental. Como é que vivemos sem comer? Temos de nos alimentar... Passo pouco tempo sem rezar, até porque falo muitas vezes com Ele durante o dia. Cheguei a aproveitar a viagem de carro do trabalho até casa para rezar o Rosário, fosse a que hora fosse. Uma das coisas que esta mudança me fez perceber foi que falar com Ele é uma coisa natural.

A FÉ E A MORTE DO PAI
Um dos momentos mais dramáticos da minha vida aconteceu quando o meu pai adoeceu com uma doença terminal. Os últimos três meses foram muito dolorosos. Se eu não tivesse feito o curso de cristandade e não estivesse já nesta fase de confiança, teria sido um momento dramático para mim, seguramente. Mas como eu já tinha a minha fé, consegui encarar de uma outra forma, mas houve uma coisa que eu nunca tive coragem: de pedir a Santa Unção para o meu pai, sobretudo por receio que ele me interpretasse mal. Faltou-me aqui a fé, claramente. Um dia, quando regressei a casa de um jogo, fui dar um beijo ao meu pai e ele disse que estava bem. Mais tarde, a minha mulher disse-me que ele tinha pedido um sacerdote e que naquele dia tinha recebido a Santa Unção. O meu pai comungou e, dois dias depois, foi para o hospital e já voltou a casa. O meu pai de certeza que está em paz.

A FÉ E A FEZADA
Durante um período da minha vida sinto que tive fezadas e agora tenho fé. Fezada é, por exemplo, enquanto treinador, levar sempre o mesmo casaco e as mesmas calças para o jogo. E estamos a falar de calças de inverno, que no verão davam muito calor, mas como achava que aquilo assim dava sorte... Depois, subi para a 1ª divisão, levei um fato no primeiro jogo e perdi; no segundo, levei outro fato e perdi e, no terceiro jogo, levei outro ainda, mas também perdi... E pensei: tenho que acabar com isso, senão fico sem fatos! (risos).
A fé apaziguou-me... Fé é confiança total. Não é como aquele que dizia que tinha muita fé e que ao cair num precipício, ficando agarrado apenas a um ramo, começou a gritar: Deus me acuda! Ouviu uma voz que lhe disse: deixa-te cair que Eu seguro-te. Ao que ele perguntou em resposta: Mas não há mais ninguém para me ajudar? (risos)

NUNCA SABEMOS QUANDO ESTAMOS A DAR TESTEMUNHO
Vou com muita frequência ao Santuário de Fátima. Normalmente vou muito cedo e uma das coisas que faço é a Via-Sacra na colunata. Um dia, há uns anos, recebi uma carta de um senhor que me agradecia. Ele escrevia que andava perdido na fé e, um dia, quando foi a Fátima, viu-me a fazer a Via-Sacra sozinho. Ele pensou que, se eu era capaz de fazer a Via-Sacra, ele também havia de experimentar. No final, essa experiência mudou-lhe a vida e era isso que ele me agradecia. Sem falar com aquele senhor, ajudei-o a mudar a própria vida. Serve este episódio para mostrar que nunca sabemos quando estamos a dar testemunho... Só Deus sabe!

Fonte: 
Esta entrevista foi transcrita do Semanário diocesano de Leiria-Fátima, jornal "PRESENTE", datado de 28-07-2016; 
jornalista: Diogo Carvalho Alves
Imagem: Internet