segunda-feira, 30 de abril de 2018

O sapato e a formiga

«Uma formiga debaixo do sapato de um homem não tem a mais pálida ideia de como é um rosto humano. E nós, diante do rosto de um homem, ignoramos da mesma forma como está o seu coração.

Por puro acaso ou por um subtil sabor perverso, por vezes o nosso sapato esmaga a formiga que atravessa a estrada. Entre ela e a enormidade de nossa figura, melhor, entre a sua pequena cabeça e o nosso rosto há uma distância quase abismal, uma impossibilidade de comunicação.»

Parte desta imagem Milena Jesenská (1896-1944), a mulher de Praga que ficou célebre pelo seu amor com Franz Kafka, a que permanecerá ligada entre 1920 e 1922, pontuando o escritor esse período com as conhecidas "Cartas a Milena".

A imagem é tomada como comparação para indicar o imenso segredo do coração humano: de uma pessoa vê-se o rosto, dele consegue-se intuir algo quando enrubesce, quando te olha, sorri ou chora, mas o íntimo mais profundo permanece oculto.

Somente com a comunicação livre e sincera de si é que esse abismo é preenchido, o que raramente acontece, às vezes nem sequer no casamento.

É verdade que há uma intimidade que pode permanecer sempre e apenas "pessoal", e o outro deve respeitá-la. O poeta libanês K. Gibran sugeria aos noivos: «Cantai, dançai juntos e sede alegres, mas deixai que cada um esteja só: mesmo as cordas de um alaúde estão sós embora frimam a mesma música. Deem os vossos corações mas não para os possuir, porque só a mão de Deus pode contê-los».

Há, portanto, uma solidão necessária que deve ser protegida, mas também é importante que se percorra o caminho de comunhão, no qual se possa ser «um só coração e uma só alma» (Atos 4, 32).

P. (Card.) Gianfranco Ravasi 
fonte: http://www.snpcultura.org/o_sapato_e_a_formiga.html
imagem: internet

sexta-feira, 30 de março de 2018

Sexta-feira Santa - Mistério de Amor

Amar até o fim significa que, no caminho da sua entrega por nós na cruz, Jesus seguiu todas as etapas, sem deixar uma só, e chegou até o final. As penúltimas palavras que pronunciou na cruz foram: “Tudo está consumado” (Jo 19, 30), antes de clamar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23, 46).

Mas amar até o fim também significa que Cristo, na cruz, nos amou sem limite algum, sem recuo algum, sem se poupar em nada, até o extremo. Nada limitou o amor do Senhor por nós. Não se deteve em barreiras, não O arredou nenhuma dor, nenhum sacrifício, nenhum horror. Acima do Seu bem-estar, da Sua honra, da Sua vida, colocou a salvação dos que amava, de cada um de nós.

Já pensamos no que é um amor ilimitado? Um amor que não depende de nada, nem exige nada, para se dar por inteiro?

O amor de Cristo começa sem que nós O tenhamos amado, não é retribuição, é puro dom; e chega até o extremo ainda que nós não o correspondamos, melhor dizendo, no meio de uma brutal falta de correspondência. Nisso consiste o amor – esclarece São João –: “Não em termos nós amado a Deus, mas em que Ele nos amou primeiro e enviou o seu Filho para expiar os nossos pecados” (1 Jo 4, 10).

Explicação da solenidade de Sexta-Feira Santa com padre Paulo Ricardo 

A meditação da Paixão, neste sentido, é transparente. Nenhum sofrimento físico aparta Jesus da cruz. Basta que contemplemos – como numa sequência rápida de planos cinematográficos – Cristo preso, amarrado, arrastado indignamente, esbofeteado, açoitado até a Sua carne se converter numa pura chaga, coroado de espinhos, esfolado e esmagado sob o peso da cruz e de nossos pecados, cravado com pregos ao madeiro, torturado pela dor, pela sede, pelo esgotamento… Nada O detém na Sua entrega amorosa.

Podemos projetar também – em flashes consecutivos – a sequência dos sofrimentos morais do Senhor, e perceber que tampouco conseguiram afastá-Lo de chegar até o fim. É caluniado, ridicularizado, julgado iniquamente, condenado injustamente; alvo de dolorosa ingratidão, de hedionda traição; é ferido pela infidelidade, pela falta de correspondência dos que amava e escolhera como Apóstolos; é atingido pelas troças mais grosseiras, pelos insultos mais ferinos, por escarros e tapas no rosto…

Nada O faz recuar, nem sequer a última humilhação, pois não O deixaram morrer em paz, e desrespeitaram com zombarias e insultos até os últimos instantes da Sua agonia. Os que passavam perto da cruz sacudiam a cabeça e diziam: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”

Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam de Jesus nessa hora: “Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e creremos nele; confiou em Deus, que Deus o livre agora, se o ama…” (Mt 27, 39-43). Esta doação sem limites de Cristo é o Amor que nos salva, o caminho que Ele quis escolher para nos livrar do mal, afogando-o em si – no Seu Amor – como num abismo.

Ao mesmo tempo, é um contínuo apelo ao nosso amor. “Quem não amará o Seu Coração tão ferido? – perguntava São Boaventura. Quem não retribuirá o amor com amor? Quem não abraçará um Coração tão puro? Nós, que somos de carne, pagaremos amor com amor, abraçaremos o nosso Ferido, a quem os ímpios atravessaram as mãos e os pés, o lado e o Coração.

Peçamos que se digne prender o nosso coração com o vínculo do Seu amor e feri-lo com uma lança, pois é ainda duro e impenitente.

Imagem: Internet
https://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/quaresma/sexta-feira-da-paixao-misterio-de-amor/

quinta-feira, 29 de março de 2018

Quinta-feira Santa - reflexão

A Quinta-feira santa inicia o ‘Tríduo pascal’, o núcleo do ano litúrgico. O seu tempo mais importante. É recordação e é celebração daquelas horas finais da vida do Mestre junto aos seus discípulos. Cada comunidade se reúne à mesa da Eucaristia. Entre nós há a amizade, a ternura, o amor dos apóstolos. Comungar a Páscoa é receber a energia de vida e de libertação que nos vem das palavras e gestos de Jesus: na última ceia e na cruz.

Em cada Diocese o bispo celebra com seus sacerdotes a missa da Crisma. Nela é dada a bênção dos santos óleos. Três bênçãos diferentes separam os óleos que servirão até a Páscoa do ano seguinte: para ungir os doentes; nos batizados, batismo e na ordenação sacerdotal. O povo católico participa da Missa da Ceia do Senhor. Cerimônia comovente repassando as lembranças da despedida de Jesus conservadas pela Tradição. Tudo centralizado na Eucaristia por ele instituída nesse dia. Nessa mais preciosa herança a Igreja tem a fonte da sua presença viva e perpétua na consagração do pão e do vinho e a vivência perene do mandamento novo do Mestre: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, este é o meu novo mandamento!”.

Enfim, momento imperdível do nosso crescimento espiritual, do convívio fraterno uns com os outros e da esperança de um mundo melhor para todos, a missa do “lava-pés” reproduz a lição de fraternidade deixada por Jesus.  Até as crianças compreendem a exigência do novo mandamento concretizada em ritos e gestos. 

Leitura Bíblica:
"Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.» Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também." (Jo 13, 1-15)

A rigor o evangelho aqui não quer documentar fatos. Oferece um anúncio de fé sobre o sentido da pessoa e da obra de Jesus na terra. Nele e por ele Deus fez uma nova criação e uma nova aliança com os homens. Por isso a Última Ceia não repetia a ceia pascal judaica, mas a ultrapassava. A Páscoa de Jesus não foi a mesma páscoa do A.T. Foi a dele. Aquele jantar onde ele se despedia marcava também o início da sua “hora” pré-anunciada repetidas vezes. A hora decisiva da sua vida, o coroamento de sua missão. Ela revela a plena consciência humana de Jesus sobre sua vocação. “Sabia que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos, que de Deus tinha saído e para Deus voltava” (v3).  Jesus perscrutando o que Deus queria dele, assumia com plena consciência as decisões finais de sua vida pessoal em todos os seus riscos e consequências. No texto a “hora de Jesus” significa sua volta para o Pai; é a saída do mundo. Saída é alusão ao êxodo ou a saída do povo hebreu libertado do Egito lá no longínquo passado. Lembra-se a páscoa que libertara o povo da escravidão pela imolação do cordeiro pascal. Mas, Jesus é o novo e verdadeiro cordeiro pascal. Deixou-se sacrificar movido por um amor solidário em extremo para nos libertar da escravidão gerada pelo pecado. Individual ou social, o pecado é a fonte da corrupção que sustenta a cultura da morte deixando rastros de injustiças e violências em toda convivência humana.

Essa entrega de amor do Senhor é revivida em todas as culturas do mundo nos gestos simbólicos do lava pés. Jesus tirou o manto, saiu da mesa e ajoelhou-se aos pés dos discípulos. O gesto de “tirar o manto” significa no texto: despojou-se de si para servir a todos. Passou de Mestre a servidor humilde. O lavar os pés era um serviço doméstico prestado ao dono da casa ao voltar da rua empoeirada. Só um escravo não judeu o prestava, pois era considerado muito humilhante e desprezível. A reação de Pedro sinaliza isso: “Tu nunca me lavarás os pés”. Ele só aceitou ver Jesus humilhado a seus pés ao ser colocado contra a parede: “Se não me deixas lavar os teus pés, não és dos meus amigos”.  Após a ressurreição do Senhor, ele e os outros discípulos entenderam aquela lição de amor fraterno solidário.

A postura de Jesus ajoelhado perante seus discípulos nos ensina que na comunidade cristã não há dominadores e dominados. Apenas irmãos e servidores uns dos outros.  O “lava-pés” não pode ser mera cerimônia. É teste e desafio aos cristãos de todos os tempos. A quem recusamos acolher? A quem não gostamos de servir? Talvez os excluídos por todo tipo de marginalização: desempregados, mendigos, idosos, nossos vizinhos mais humildes? Nesta quinta-feira santa coloquemos nossos pés nos caminhos de Jesus, renovando a convicção: segui-lo é servir por amor.

Imagem: Internet
Fonte: http://www.a12.com/academia/homilias/reflexao-para-a-quinta-feira-santa

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Achado

Leitura da Palavra:
"Azarias, filho de Oded, movido pelo espírito de Deus, saiu ao encontro de Asa e disse-lhe: «Escutai-me, Asa e todo o Judá e Benjamim! O Senhor está convosco, se vós estiverdes com Ele. Se vós o procurardes, haveis de encontrá-lo; mas se vós o abandonardes, Ele vos abandonará a vós.  Durante muito tempo, Israel viveu sem o verdadeiro Deus, sem sacerdotes para o ensinar, sem a Lei; mas quando, na sua angústia, se voltaram para o Senhor, Deus de Israel, e o procuraram, encontraram-no sempre. Naqueles tempos, não havia segurança para os que viajavam; pelo contrário, graves perturbações aterravam a população das diferentes regiões. Uma nação destruía outra nação, e uma cidade destruía outra cidade porque Deus as perturbava com toda a espécie de tribulações. Quanto a vós, sede fortes, não desfaleçais, pois o vosso esforço será recompensado.» Ao ouvir o oráculo do profeta Oded, Asa cobrou ânimo e fez desaparecer os ídolos de todo o território de Judá e de Benjamim, e de todas as cidades que conquistara na montanha de Efraim. Restaurou o altar do Senhor que se encontrava diante do pórtico do santuário do Senhor. Convocou toda a população de Judá, de Benjamim, bem como os refugiados de Efraim, Manassés e Simeão que habitavam entre eles, pois grande número de israelitas se aliara a Asa, vendo que o Senhor, seu Deus, estava com ele. Reuniram-se em Jerusalém, no terceiro mês do ano quinze do reinado de Asa. Nesse dia, sacrificaram ao Senhor, do espólio que tinham trazido, setecentos bois e sete mil ovelhas. Obrigaram-se, por uma aliança, a seguir o Senhor, Deus dos seus antepassados, com todo o seu coração e com toda a sua alma. E todos aqueles que faltassem a este compromisso com o Senhor, Deus de Israel, pequeno ou grande, homem ou mulher, seria morto. Ao som de trombetas e clarins, em grande júbilo e aclamação, fizeram esse juramento ao Senhor. Todos os de Judá se alegraram por causa do juramento, pois fizeram-no com o seu coração e com toda a sua boa vontade. Procuraram o Senhor e Ele se lhes manifestou e lhes assegurou a paz com todos os seus vizinhos. O rei Asa destituiu, também, Maaca, sua mãe, da dignidade de rainha, por ela ter feito um ídolo infame em honra de Achera. Asa destruiu aquela imagem, despedaçou-a e queimou-a na torrente do Cédron. Os lugares altos não desapareceram de Israel, mas o coração de Asa permaneceu íntegro durante toda a sua vida. Transportou para o templo de Deus todos os objectos consagrados por ele e por seu pai: a prata, o ouro e os utensílios. Não houve guerra até ao trigésimo quinto ano do reinado de Asa. 
[2Cr 15, 1-19]

Meditação:
O Senhor está convosco, se vós estiverdes com Ele. Se vós o procurardes, haveis de encontrá-lo; mas se vós o abandonardes, Ele vos abandonará a vós. (2Cr 15, 2b).
Sempre ouvimos afirmações assim: "Deus nos deixou", quando, na verdade, somos nós que nos afastamos. A distância entre o homem e Deus se torna maior não porque ele se afasta de nós; pelo contrário, nós é que deixamos de trilhar os caminhos em companhia do nosso Senhor. Há até aquele célebre poema "Pegadas na areia", de Margaret Fishback Powers, no qual o personagem, olhando as pegadas na areia, vê apenas duas e queixa -se que Deus o abandonou quando mais precisava, e o Senhor responde que não, pois naqueles momentos tinha carregado a pessoa em seus braços. 
Na narração bíblica da época em que os reis lideravam o povo de Israel, há períodos de glórias e momentos de ausência de paz e sucesso. Após o governo de Salomão, o reino se dividiu em dois: Israel (Reino do Norte) e Judá (Reino do Sul). Dez tribos seguiram Jeroboão (Norte) e duas, Judá e Benjamin, ficaram com Roboão (Sul). Após a morte deste, reinou sobre Judá seu filho Abias, que foi sucedido por seu filho Asa. Com ele, seguiram -se os 10 primeiros anos de paz naquele lugar, pois o rei fez o que era bom e reto perante o Senhor (ao menos no início de seu governo). É importante ressaltar que, tanto em Judá quanto em Israel, onde os reis se sucediam, uns observavam os preceitos de Deus e tinham êxito, enquanto outros não o agradavam e isso resultava em muitos problemas. Destacamos a história de Asa, pois foi exatamente a ele que o profeta Azarias alertou sobre o assunto: enquanto Judá fosse fiel ao Senhor e o buscasse, Deus seria achado; mas, se fosse deixado, também abandonaria o rei e o povo. 
Isso não é menos verdade hoje! A iniciativa do distanciamento não é de Deus; nós, seres humanos, é que o fazemos e depois reclamamos do abandono. O Senhor está sempre disponível para ser achado – basta que o busquemos. 

Nossa proximidade com o Senhor depende de nossa disposição em buscá -lo.

Fonte: Pão Diário

Pregou o amor para acordar "o povo que Salazar adormeceu"...

No passado dia 22 de Fevereiro, faleceu um homem de Deus, que me marcou nos tempos da minha juventude... ouvia regularmente o programa que  este sacerdote conduzia nos microfones da Renascença... Ao visitar a página da Renascença [rr.sapo.pt], deparei-me com esta notícia e resolvi publicá-la neste blog, transcrita integralmente com os créditos devidamente anotados no final deste texto...


[Dâmaso Lambers nasceu na Holanda mas amava Portugal e não se conformava com um sistema que considerava que tinha adormecido os portugueses. Não se envolveu em política, preferiu dar-se e defender aos mais pobres, porque "o principal é o amor".

Pagou com antecedência o seu funeral porque não quer que ninguém se preocupe. “Paguei dois contos, naquela altura, para ser cremado. Por isso é que foi mais caro”, contou à Renascença.
Mas porquê? “Não quero incomodar ninguém. Quero servir”. A ideia repete-se durante toda a conversa. O padre Dâmaso Lambers é holandês. Nasceu a 9 de Junho de 1930, mas veio para Portugal em 1957. Era aqui que queria morrer.
“Pedi para ficar e para morrer aqui em Portugal. E vou morrer aqui em Portugal”, afirmou com convicção. Afinal, já “está tudo pago”.
Aconteceu esta quinta-feira, dia 22 de fevereiro. Tinha 87 anos. O seu corpo estará em câmara ardente na Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, a partir das 16h de sexta-feira. O funeral é sábado às 10h30.
Quando concedeu a entrevista à Renascença tinha 87 anos e ainda dava murros na mesa (literalmente) quando falava de algo que o indignava. Por exemplo, a pobreza.
“Mas porque é que se preocupa tanto com os pobres?”, perguntou-lhe um ex-agente da PIDE, já depois da Revolução de 1974. “Porque são os mais infelizes do país”, respondeu-lhe.
O encontro com a população mais desfavorecida deu-se logo à chegada a Lisboa, na Penha de França, onde a Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria tem o convento.
“Aos sábados, ia com uma equipa de rapazes da JOC [Juventude Operária Católica] arranjar as barracas de idosos que precisavam imensamente de obras. No telhado, entrava água. Alguns não tinham camas, iam às obras buscar as sacas vazias de cimento, porque não deixam passar facilmente a água, e muita gente dormia em cima destes sacos de cimento”, lembrou.
“Foi a primeira coisa da minha vontade: dedicar-me aos mais pobres. Foi muito bom”. E para que estas pessoas pudessem ir à missa sem “um sentido de inferioridade em relação às pessoas dos prédios”, o padre que veio da Holanda foi falar com o presidente da Câmara de Lisboa para pedir autorização para transformar uma casa numa capela.
“Não sabia como fazer e nem sequer me lembrei de ir primeiro à Junta de Freguesia, fui logo ao presidente da Câmara”, recordava bem-disposto. “Arranjei uma casa quase a cair para fazer uma capela e tinha de pagar oito escudos por ano de renda”.
Ao longo do tempo, foram muitas as histórias do género que reuniu para contar. O padre Dâmaso Lambers não se conformava com o conformismo de alguns elementos da Igreja. Muitas vezes ouviu a pergunta (vinda de vários sectores da sociedade e referindo-se a locais mais desfavorecidos): porque é que lá vais celebrar missa?
“Então, aqueles pobres também não são gente?”, respondia indignado.
Crítico acérrimo do salazarismo, considerava que os anos de ditadura fizeram dos portugueses um povo conformado.O povo estava passivo por causa do Salazar. O salazarismo absolutamente apagou o povo!” e dá um murro na mesa.
Mas não restem dúvidas: o padre holandês que se nacionalizou português “nunca quis ofender Portugal”.
“Eu gosto de Portugal. Nunca quis ofender Portugal. Procuro ter sempre uma certa diplomacia, um certo cuidado para não chocar. Mas vou dizendo as coisas”.
“’Lá vem o Dâmaso’, ouço muitas vezes”. E sorri. “Porque o principal não é a Igreja, é a nossa vida de amor. E eu amo.”
“Sou um pregador”
Os Cursilhos de Cristandade terão representado a melhor e a mais dolorosa experiência do padre Dâmaso Lambers em Portugal. “Era um movimento feito totalmente para mim”.
Criados nos anos 40 em Espanha, os Cursilhos tinham como principal objetivo despertar novas lideranças evangelizadoras. “Queríamos converter os cristãos, dar-lhes uma vivência concreta do Cristianismo”, explica.
Estávamos em 1959/60. O padre Dâmaso Lambers pregava por Lisboa, acompanhando a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelas várias paróquias.
“Esta passagem da imagem era uma tentativa de recristianizar Lisboa, mas não dava resultado. Toda a gente andava atrás da santinha, mas não para se converter. Era para pedir a Nossa Senhora. E eu não podia concordar com isso”, conta.
Por isso, quando passou para primeiro pregador por ordem do bispo auxiliar D. António de Campos – “que era um bispo um bocado difícil” – começou a fazer as coisas à sua maneira.
E havia, em Alcântara, “um padre [João Gonçalves] que já tinha estado nos Cursilhos da Cristandade. A certa altura, ele veio ter comigo e disse: tu conheces o Movimiento de los Cursillos de la Cristandade?”. Dâmaso Lambers nunca tinha ouvido falar. “Tu andas a pregar como se faz nesses Cursilhos”, afirmou o padre João Gonçalves.
O padre Dâmaso explica: “Eu tinha encontrado uma vez, na livraria do Patriarcado, um livro francês sobre missões populares. E comprei. Tinha uma série de programas de pregações e o programa mais cativante era o mesmo dos Cursilhos de Cristandade. Eles, lá em Espanha, também devem ter comprado esse livro”, conclui, a rir.
“Portanto, eu pregava segundo aquele esquema”. Foram “anos fantásticos”, em que “me encontrei com Jesus. Em que me encontrei realmente”. Mas havia quem não gostasse disso – nomeadamente “dois padres, padre Santana e padre Aleixo, que queriam afastar-me”. Aproveitaram para tal uma ida a Angola do padre Dâmaso.
“Quando cheguei, o meu superior – eu vivia num convento nessa altura, na Penha de França – disse: ‘durante a tua ausência esteve cá o padre Santana para pedir se não te podia colocar na província, afastar-te de Lisboa’”.
“No mesmo dia telefonei para o cardeal [Cerejeira] e ele disse: ‘venha cá imediatamente’”. E nesta altura a narrativa de Dâmaso Lambers mudou para um tom mais triste. “Sofri muito. Nunca pensei que me fizessem isto, atrás das minhas costas. Isto é a coisa mais suja que se pode fazer. Foi baixeza”. Foi por isso, “com lágrimas” que o padre Dâmaso abandonou o movimento que mais se identificava consigo, com a sua maneira de ver a pregação.
“Ainda me custa imenso”, confessa.Eu gostava tanto daquele movimento. Mas saí…”
Dirigiu mais de 100 Cursilhos. “Em Lisboa, na Guarda, Leiria, em Beja, Évora, nos Açores... Isto foi muito difícil, sofri muito. Porque eu sou pregador. Eu gosto de falar. Gosto de comunicar”.
Renascença, “o amor da minha vida”
Foi numa das visitas da imagem de Nossa Senhora de Fátima às paróquias de Lisboa que o padre Dâmaso Lambers conheceu o fundador da Rádio Renascença, Monsenhor Lopes da Cruz, na paróquia dos Mártires, no Chiado.
Era “uma pessoa muito especial. Simples ao máximo” e “com muita espiritualidade”, conta no seu livro, “Uma vida de doação” (ed. Paulinas, 2015). “O que mais me tocou foi a sua simplicidade e o amor com que criou a rádio”, acrescenta.
Quando se conheceram, Monsenhor Lopes da Cruz levou-o a visitar as instalações da rádio. Eram, em 1960, “ainda muito limitadas”, com dois andares, mas “com um ambiente formidável” e verdadeiramente uma emissora católica, considera no livro.
Nesta altura, o padre Dâmaso falou duas vezes ao microfone: uma sobre Nossa Senhora de Fátima e outra sobre as visitas da imagem de Nossa Senhora às paróquias lisboetas.
“Fátima não é para pedir”, salientou. “E toda a gente vai a Fátima pensando em si mesmo”, quando aquilo deveria ser um santuário de amor pelo outro.
Em 1976, a colaboração com a rádio tornou-se mais assídua. Três vezes por semana: uma para falar aos doentes, outra aos reclusos e, por fim, para o cidadão comum. Daí em diante, foi assumindo outros programas e horários, inclusivé a meio da madrugada (2h30), tendo marcado muitos ouvintes.
Foi o caso de um taxista do Porto que, ao conversar com o seu cliente, de repente percebeu quem ali tinha. “O senhor é o padre Dâmaso da Rádio Renascença?” Já tinha pensado procurá-lo em Lisboa. O padre Dâmaso sentou-se, então, no banco da frente do carro e ali ficaram algum tempo a conversar.
“Deitei-me tarde, mas o taxista deve ter dormido bem naquela noite! Jesus é fantástico! Por vezes, sinto-me tão pequeno, porque Jesus é tão grande e utiliza até a Rádio Renascença”, escreve no livro.
“Sei que Jesus me ama”
A relação com Jesus começou cedo. Dâmaso Lambers nasceu numa família cristã, numa casa onde se rezava antes e depois de comer e onde a mãe consagrava várias vezes a família ao consagrado coração de Jesus.
Com o tempo, alguns irmãos começaram a divergir, a estar mais afastados de Jesus e era Dâmaso, o mais novo de seis, que os tentava converter.
Hermano Nicolau Maria Lambers (o seu nome de baptismo) nasceu com quase seis quilos – “isto não tem a ver com tamanho, mas nós somos de origem alemã e os alemães são pesados por causa dos ossos”. Pouco tempo depois, adoeceu e perdeu peso. Chegou a pesar menos de dois quilos. O médico avisou os pais que não havia esperança para aquela criança. E os pais decidiram confiar o filho a Santa Teresa de Lisieux. O pai terá dito também a Deus que poderia dispor do seu filho, que o confiava a Ele. O episódio é relatado no livro.
No dia seguinte, a criança começou a melhorar. E terá sido com admiração que os pais, que nada lhe tinham dito ainda sobre o que se tinha passado, o ouviram mais tarde dizer que queria ir para o seminário.
“Eu vivo Jesus desde pequeno”, revela. E “quem tomou a decisão por mim foi Jesus”.
“Nasci em 1930 e fiz a primeira comunhão com sete anos de idade. Desde então, comunguei todos os dias. Sabe? Quando tinha 18/19 anos, no meu grupo de rapazes falávamos sobre casar ou ser religioso ou seguir outra vida. Já eram conversas a sério, sobre a nossa vocação e o futuro da nossa vida. Mas eu não tive qualquer dúvida. A minha vocação já era realidade”.
Admite, contudo, que nem sempre foi fácil. “Como rapaz, tive algumas faltas, mas Jesus estava sempre presente. Extraordinário. Ele amava-me”.
Sempre muito auto-crítico, diz que quando “tinha uma falta a vivia mais seriamente, porque não queria ofender” Jesus. O padre Dâmaso quer dar sempre o melhor de si. Era um homem “cheio de Deus” e que dá Deus aos homens, escreve o padre Alberto Oliveira no livro “Uma vida de doação”.
O padre Dâmaso acreditava e fazia tudo por Jesus. E é com Ele no coração que quis sempre tornar-se melhor pessoa todos os dias e chegar a mais gente. “Tenho muito respeito pelos santos, mas não lhes peço intercessão. Trato tudo diretamente com Jesus e não peço muito. Entrego-me”, conta.
A cadeia. “Tinha que me dar sem procurar os meus próprios interesses”
As pessoas mais desfavorecidas sempre foram o foco do padre Dâmaso Lambers. Em 1959, foi convidado a fazer umas conferências na cadeia feminina de Tires.
“E, numa semana de folga, eu fui fazer três conferências. Falei sobre coisas simples da vida cristã. Nada de especial. Umas semanas depois, recebi um telefonema da Direção Geral dos Serviços Prisionais para saber se eu também não podia dar essas conferências em outras cadeias. E eu fui fazer. Vi nisto uma vocação, um chamamento de Deus”, relatou à Renascença.
Lamentava que, até então, nunca um padre tivesse entrado numa cadeia portuguesa. “É preciso meter-se no mundo dos presos e para isso temos de nos renunciar a nós mesmos”.
“Não percebi logo isso e quando saía da cadeia apetecia-me mandar toda a gente para vários sítios. Mas depois compreendi que não eram eles que tinham de mudar. Eu tinha que mudar. Eu tinha que me dar totalmente, sem procurar os meus próprios interesses. Não é fácil, mas é gratificante para quem se quer dar, para quem quer fazer da sua vida dádiva”, conclui numa entrevista que deu à Renascença em 2009, para a série de reportagens “Vidas Consagradas”.
Em 1982, foi nomeado coordenador nacional da assistência religiosa nas cadeias portuguesas e era, até há pouco tempo, capelão na prisão do Linhó, em Sintra (onde vivia).
Em 1987, fundou a associação “O Companheiro”, com o objetivo de ajudar na reintegração social dos ex-reclusos – “para que pudessem bater a uma porta, ter ajuda e contar com trabalho durante uns meses”. O lema da associação é: “Para que não haja Homem excluído pelo Homem”.
Em 2010, foi condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.
Amar é a solução
No livro que escreveu admite: “Sou um felizardo”. Di-lo convicto, porque se sente “cheio de Jesus”. E afirmava que, sempre que se dava aos pobres e marginalizados da sociedade, “Jesus ia consigo”.
“Jesus é fantástico” – disse-o pela primeira vez numa conferência. “Quando falo de Jesus perco-me”, mas… “Ele deve estar muito triste”. Porquê, padre Dâmaso? “Deus veio-nos dizer que devemos escutar Jesus. E as pessoas não ouvem!”, responde com veemência.
E se Jesus viesse à Terra agora, o que faria? “Começava a amar. Porque a essência de Deus é amor e a essência de Jesus é amor. As pessoas não se amam e Jesus começava a amar”.
O padre Dâmaso dizia que as pessoas vivem fechadas em si mesmas. E mesmo os cristãos dão pouco de si mesmos.
“Como é que temos sido católicos? Só por nunca faltar à missa aos domingos e fazendo alguns outros atos religiosos?”, questiona no livro. Na conversa com a Renascença, acrescenta: “Digo muitas vezes: sabemos, sem dúvida, rezar e ir à missa, mas o principal é amar. Amar toda a gente”.
Ao longo da sua vida de dádiva, garantia, nunca procurou ser importante. “Eu só quero servir. Eu gosto da gente”.

“Eu não quero ser um tipo especial. Eu queria trabalhar; eu queria fazer bem”. Mas, porque é que, aos 87 anos, ainda trabalha? “Porque eu gosto de Jesus. Eu acho que não posso parar. Será Jesus a decidir isso”.]
Texto: 22 fev, 2018 - 20:22 • Marta Grosso 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Frases do Papa Francisco aos jovens

Mensagens para os jovens e também para os adultos

Dizer às pessoas que existe um caminho de felicidade, de alegria, que é o caminho de quem caminha na vida com Jesus.
 
Devemos rezar sem descansar. Bater à porta do coração de Deus e pedir vocações para a vida religiosa e sacerdotal.
Maria, Mãe de Jesus, ajuda-nos a transmitir as maravilhas do Senhor às pessoas que encontramos no nosso caminho. 

 
Como cristãos, não podemos ficar fechados em nós mesmos, mas sempre abertos aos outros, para os outros.

 
Na sociedade hodierna [actual; que reflete o momento contemporâneo], em que o perdão é tão raro, torna-se cada vez mais importante a misericórdia.

 
Deus quer habitar no meio dos seus filhos. Deixemos espaço para Ele no nosso coração.

 
A herança mais bela e maior que um homem e uma mulher podem deixar aos seus filhos é a fé cristã.

 
Devemos ser missionários e impregnar a vida pública com a fé.

 
A Virgem Maria alcance para nós a graça de ser fortemente animados pelo Espírito Santo, para sermos testemunhas de Cristo, com fortaleza evangélica.


Fonte: Cavaleiro da Imaculada - Imagem: Internet                                          

Exercício espiritual

Leitura Bíblica:
"O Espírito diz abertamente que, nos últimos tempos, alguns hão-de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas, seduzidos pela hipocrisia de mentirosos, cuja consciência foi marcada com ferro em brasa. Proibirão o casamento e o uso de alimentos, que Deus criou para serem consumidos em acção de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom e nada deve ser rejeitado, quando tomado com acção de graças. Com efeito, tudo é santificado pela palavra de Deus e pela oração. Expondo estas coisas aos irmãos, serás um bom servo de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tão diligentemente tens seguido. Mas rejeita as fábulas ímpias, coisa de comadres. Exercita-te na piedade. O exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a promessa da vida presente e da futura. É digna de fé e de toda a aceitação esta palavra. Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, sobretudo dos que crêem. Eis o que deves proclamar e ensinar. Ninguém escarneça da tua juventude; antes, sê modelo dos fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé, na castidade. Enquanto aguardas a minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não descures o carisma que está em ti, e que te foi dado através de uma profecia, com a imposição das mãos dos presbíteros. Toma a peito estas coisas e persevera nelas, a fim de que o teu progresso seja manifesto a todos. Cuida de ti mesmo e da doutrina, persevera nestas coisas, porque, agindo assim, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvirem."
(1 Timóteo 4, 1-16)

Meditação
Rejeite ... as fábulas profanas e tolas, e exercite-se na piedade.  "Mas rejeita as fábulas ímpias, coisa de comadres. Exercita-te na piedade. O exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a promessa da vida presente e da futura. (1Tm 4, 7-8).
Muitos de nós vivem uma vida sedentária – parece que o único movimento que fazem é levantar o garfo até a boca. Como consequência da falta de exercícios físicos, aparece uma série de doenças, sem falar na obesidade, que também é um risco à saúde.
Quais as vantagens dos exercícios físicos? Não deve ser novidade: o exercício dá mais energia, ajuda a retardar o envelhecimento e renova os músculos. Exercitar-se previne a degeneração física. É como se prolongasse a juventude. Faz bem para a pele, aumentando o fluxo sanguíneo nela, provendo-a de nutrientes e retirando as toxinas. Também ajuda a perder peso. Pessoas ativas são menos sujeitas a ter problemas cardíacos. Percebemos no próprio corpo o resultado da falta exercícios físicos.
Quero, porém, falar agora de um outro tipo de exercício: o espiritual. Ele é tão necessário quanto o outro. Por quê? Porque o homem não é só corpo, também é espírito. O exercício espiritual consiste em diariamente meditar na Palavra de Deus, falar com ele em oração e proceder bem. Quando deixamos de fazer isso, ficamos sujeitos a obesidade espiritual. O que seria isso? É alimentar o nosso espírito com tudo que é falso, abominável e ruim. A obesidade espiritual pesa e nos rouba as forças para vencer as lutas espirituais. Não conseguimos reagir.
Por isso, o apóstolo Paulo escreveu ao jovem Timóteo as recomendações da nossa leitura de hoje e, em particular, o que está no versículo em destaque.
Convido você a praticar esses exercícios espirituais para poder crescer espiritualmente. Para vencer as lutas diárias da vida é preciso ter vigor, e este só vem com a prática – espiritual e fisicamente.

É necessário praticar exercício espiritual se quisermos ser cristãos saudáveis.

Fonte: Pão Diário
Imagem: Internet