terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Fé sem obras, é morta...



Muitos estudiosos da Bíblia encontram um irreconciliável conflito entre Paulo e Tiago acerca do que ensinaram sobre a fé e as obras. Paulo ensina que a salvação é recebida pela fé e não pelas obras (Ef 2.8,9). Tiago, por sua vez, ensina que sem obras a fé é morta (Tg 2.17). A grande pergunta é: Existe alguma contradição entre Paulo e Tiago? Estão esses dois escritores bíblicos em conflito? A fé exclui as obras ou as obras dispensam a fé? Precisamos entender que não há contradição nas Escrituras. Paulo e Tiago não estão batendo cabeça. Eles estão falando a mesma verdade, sob perspectivas diferentes. Paulo fala da causa da salvação e diz que somos salvos pela fé independente das obras. Tiago fala da consequência da salvação e diz que as obras é que provam a fé.
Tanto a fé como as obras são fundamentais quando se trata da salvação. A fé é a raiz e as obras são o fruto. A fé produz o fruto das obras e as obras procedem da seiva que vem da raiz. A fé é a causa e as obras o resultado. Não somos salvos por causa das obras, mas para as boas obras. Não praticamos boas obras para sermos salvos, mas porque já fomos salvos pela fé. As obras não nos levam para o céu, mas aqueles que vão para o céu, porque foram salvos pela fé, serão acompanhados por suas obras.
Tanto a fé como as obras procedem de Deus. A fé é dom de Deus. Não geramos a fé, recebemo-la. As obras que praticamos são inspiradas pelo próprio Deus, pois é ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar. De tal forma que não há espaço para soberba por parte de quem crê nem por parte de quem realiza boas obras, pois tanto a fé como as obras vieram de Deus e devem ser direcionadas para Deus. Nossa fé deve estar em Deus e nossas obras devem ser feitas para a glória de Deus.
Deus mesmo planejou nossa salvação e ele mesmo a executa. Ele mesmo é quem abre nosso coração para crermos e ele mesmo nos dá poder para realizarmos as boas obras que atestam a autenticidade da fé. A fé prova nossa salvação diante de Deus e nossas obras diante dos homens. Deus vê a fé, os homens as obras. Fé e obras não se excluem, completam-se. A raiz sem frutos está morta; o fruto sem a raiz inexiste.
Aqueles que defendem a salvação pela fé sem a evidência das obras laboram em erro. De igual forma, aqueles que julgam alcançar a salvação pelas obras sem a fé. É preciso afirmar com meridiana clareza que a salvação é só pela fé e não pela fé mais o concurso das obras. Porém, a fé salvadora nunca vem só. A fé salvadora produz obras. Não provamos nossa salvação pela fé sem as obras, mas pela fé mediante as obras. As obras não são a causa da salvação, mas sua evidência.
Concluímos, afirmando que não há qualquer conflito entre Paulo e Tiago. Não há qualquer contradição entre fé e obras. Não podemos confundir causa e efeito. Toda causa tem um efeito e todo efeito é produzido por uma causa. As obras não substituem a fé nem a fé pode vir desacompanhada das obras. Fé e obras caminham de mãos dadas. Não estão em lados opostos, mas são parceiras. Ambas têm o mesmo objetivo, glorificar a Deus pela salvação. Somos salvos pela fé e somos salvos para as obras. Recebemos fé e fomos preparados de antemão para as obras. Não há merecimento na fé nem nas obras. Ambas vem de Deus. Ambas devem glorificar a Deus. Ambas estão conectadas com nossa salvação. A fé nos leva a Cristo e as obras nos levam ao próximo. A fé nos coloca de joelhos diante de Deus em adoração e as obras nos coloca de pé diante dos homens em serviço. Somos salvos pela fé para adorarmos a Deus e somos salvos para as obras para servirmos ao próximo.

Autor: Hernandes Dias Lopes ©2011. Todos os direitos reservados.
Copyright: Hernandes Dias Lopes.

2 comentários:

  1. Um dos recursos desonestos mais comuns utilizados desde o tempo dos copistas é o da "harmonização de textos", sempre baseado no conceito pré-concebido e em prol da manutenção do falso dogma de ser a Bíblia a "perfeita e infalível palavra de Deus".
    O conflito entre Paulo e Tiago é nítido e evidente para quem quer, realmente, com honestidade, enxergar!
    Nada tem a ver com "causa e efeito", "salvação e consequência"!
    O ponto chave das exposições é claramente o da "justificação" ("declarar justo") e o exemplo usado por ambos é o de Abraão.
    Porém, Paulo afirma que "Abraão foi justificado por fé", ao passo que Tiago, contrariamente, afirma que "Abraão foi justificado por obras"!
    É impossível entender de outra forma, a não ser, como disse, com o uso de artifícios desonestos de harmonização, partindo-se sempre de conceitos errôneos pré-concebidos, os quais têm que ser sustentados a qualquer custo.

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  2. Com todo respeito a sua opinião,Irineu,não consigo enxergar como você colocou, esta contradição. O que precisamos entender é que os conceitos escritos por Paulo e Tiago,foram registrados na Bíblia e esta tem um alcance de caráter universal. Porem,quando Paulo e Tiago escreveu cada um o fez para corrigir o problema que afetava dois grupos distintos de pessoas a quem os dois escreveram.Ou seja: um grupo tinha obras, as lhes faltava a fé. Em contra partida,o outro tinha a fé,mas lhes faltava as obras. Concordaria com você se os dois tivessem escrito para o mesmo grupo duas coisas contraditórias. O problema é que o que foi compilado na Bíblia chega para todo mundo ao mesmo tempo. Cabe a quem lê procurar entender esta questão.Sendo assim,não há contradição. Deus abençoe.

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