sábado, 5 de maio de 2018

Maria cumpre a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"«Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»" 
(Mt 7, 24-27)

Comentário
O grande problema, que a todos diz respeito, não está tanto em ouvir, mas em cumprir. Com efeito, ouvir a palavra é fácil. Cumpri-la, porém, é difícil. Talvez uma das dificuldades da Igreja pós-conciliar é que se fala muito, mas faz-se pouco. Houve até quem propusesse um ano de silêncio total, em que deixássemos de falar e nos metessemos só a executar os documentos conciliares. Há, na verdade, a tentação dum certo vedetismo, a mania do sensionalismo. Esta tendência é agravada pelos actuais meios de comunicação social: a imprensa, a rádio e a TV, coisas pouco usadas noutros tempos.

Reconhecendo, embora, o perigo de uma verborreia ociosa, temos também de cair em conta de que antes, de executar, é preciso pensar, discutir e dialogar. É este o caminho normal da psicologia humana. Também aqui se pode dizer que, no começo, está o verbo e a palavra. Na Bíblia, a abundância da palavra é um dos sinais da chegada dos tempos messiânicos (cf. Jl 3, 1-2; Act 2, 1-4). Por isso, se desata a língua de Zacarias (Lc 1, 64-67) e Cristo faz ouvir os surdos e falar os mudos (Mt 9, 32-34; 12, 22-24; Mc 9, 17-27). Mas é preciso que aquele que fala, não o faça movido pela vaidade ou por outras intenções menos nobres, mas que seja empurrado por Deus. Assim acontecia aos profetas, denunciando as injustiças (Am 7, 10; Jer 20, 7-17; Os 1, 1; Jo 1, 1), ou aos Apóstolos, anunciando o Evangelho, diziam: «Não podemos calar» (Act 4, 18-20).

Na Igreja e também na sociedade civil, devem existir estes dois tempos, sempre que se trate de realizar qualquer projecto que diga respeito a todos. Com efeito, o que é de todos deve ter a participação de todos. O Concílio foi o tempo de discussão. O pós-concílio deve ser o tempo de execução. Não o tem sido, porquê? Porque o Concílio foi um diálogo, quase exclusivamente a nível episcopal. Só num segundo tempo é que veio um diálogo a nível de toda a Igreja. O Concílio é pedra do diálogo caído no centro do lago. As ondas concêntricas estão levantadas, só agora estão a atingir a periferia do lago, isto é, de todo o povo de Deus. Por isso, a nível de Povo de Deus, estamos em estado de Concílio e, portanto, de diálogo, de discussão. Aparecem, contudo, os sinais dos tempos da execução no cansaço pela discussão.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Maria medita a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»" (Lc 4, 16-21)

Comentário
Os fiéis hoje lêem muito mais a Bíblia do que há anos atrás. Há, porém, muita gente que ainda não a lê. Há ainda aqueles que a queriam ler, mas não sabem manejá-la no seu aspecto técnico. A Bíblia aparece-lhes como um livro complicado. Têm razão. É-o de facto. Com efeito, a Bíblia não é um livro, mas uma biblioteca dos cristãos. 
A edição católica da Bíblia consta, nada mais nada menos, de 72 escritos, muito diversos entre si - desde os escritos de carácter histórico, até aos poemas e às cartas. Mas não é só a diversidade de géneros literários, de estilo e de linguagem que dificulta a leitura da Bíblia. Temos ainda a diversidade de autores, de séculos, de lugares e de mentalidades que a Bíblia reflecte. Com efeito, ainda que ela tenha um único autor divino, não devemos esquecer que tem também muitos autores humanos, que nela se manifestam com a sua mentalidade, o seu temperamento, as suas limitações, as suas preocupações teológicas, etc.

Além disso, muitos católicos não sabem sequer manejar a Bíblia. Para superar este mal, devemos ter presente que ela se divide em duas grandes partes: O Antigo Testamento e o Novo Testamento. Cada um destes Testamentos consta de vários escritos, como se poderá ver no índice. Além disso, cada escrito ou livro bíblico, está dividido em capítulos e os capítulos em versículos.

A Bíblia é uma biblioteca. Tem muitos autores humanos. Representa o itinerário religioso do Povo de Deus durante muitos séculos. Tem, contudo, um denominador comum, um centro espiritual que unifica: Cristo. É à Sua luz que devem ler o Antigo Testamento. Era assim que fazia a Senhora. Como o Novo Testamento ainda não estava escrito, Ela lia o Antigo Testamento para entender o que lhe sucedia a Ela e a Jesus. Assim «o Novo Testamento estava escondido no Antigo e torna-se patente no Novo» (DV 16).

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Maria recebe a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»" (Lc 11, 27-28)

Comentário
Um facto consolador pode ser detectado no catolicismo actual: lê-se muito mais a Bíblia. Cingindo-nos só a Portugal, podemos afirmar que a principal editorial bíblica católica, Difusora Bíblica, tem sentido um extraordinário afluxo de pedidos de Bíblias. Os católicos portugueses estão esfomeados da Palavra de Deus. Este facto, e muitos outros afins, é fonte de optimismo e permite afirmar que a actual crise da Igreja é uma crise de crescimento. Com efeito, diz o profeta Isaías: «Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá sem terem regado e fecundado a terra e feito germinar, dando o grão para semear e o pão para comer, o mesmo sucede com a palavra que sai da Minha boca - diz o Senhor - : não volta sem ter produzido o seu fruto, sem ter executado a Minha vontade e cumprido a sua missão» (Is 55, 10-11).
Sendo assim, se os cristãos ouvem mais a palavra de Deus têm necessariamente de produzir o seu fruto.

Maria ouviu mais do que ninguém, a Palavra de Deus, de tal modo que antes de conceber o Verbo divino no seu corpo, já o tinha concebido no seu espírito. O Evangelho de S. Lucas chega mesmo a afirmar que Maria foi mais feliz por ter escutado a Palavra de Deus do que até por ter gerado a Cristo (cf. Lc 8, 19-21; 11, 27-28). Esta mesma afirmação se encontra frequentemente na Tradição da Igreja.

O Concílio Ecuménico Vaticano II promulgou um documento dedicado à Sagrada Escritura: é a Constituição «Dei Verbum». Pois este documento termina com um capítulo intitulado: A Sagrada Escritura na vida da Igreja. É um veemente apelo a todos os filhos da Igreja Católica para contactarem mais com a Bíblia, tanto na liturgia, como na leitura particular; tanto nas exposições teológicas, como na pastoral quotidiana. Por isso, actualmente temos as mais variadas leituras bíblicas na Missa. Estas foram também introduzidas na liturgia de outros sacramentos: Baptismo, Matrimónio, etc. - É portanto de esperar um novo florescimento na fé.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Como Deus fala a Maria

Leitura Bíblica
"Então, os fariseus e os saduceus aproximaram-se dele; e, para o tentarem, pediram-lhe que lhes fizesse ver um sinal do Céu. Ele respondeu-lhes: «Ao entardecer, vós dizeis: ‘Vamos ter bom tempo, pois o céu está avermelhado’; e, de manhã cedo, dizeis: ‘Hoje temos tempestade, pois o céu está de um vermelho sombrio.’ Como se vê, sabeis interpretar o aspecto do céu; mas, quanto aos sinais dos tempos, não sois capazes de os interpretar! Esta geração má e adúltera exige um sinal! Mas sinal algum lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.» E, deixando-os lá, afastou-se." (Mt 16, 1-4)

Comentário
Deus continua a falar ao homem de hoje. Este deve esforçar-se por ouvir a Sua voz. Fala-nos de duas maneiras principais: através da Bíblia e através da vida.
Na Bíblia, encontramos a experiência de um Povo e o modo como Deus se lhe foi manifestando progressivamente, através dos séculos, conduzindo-o, com admirável paciência, pelos caminhos da salvação, até chegar a Cristo, luz das nações (cf Jo 8, 12; Lc 2, 32; DV 14-16).
Na vida, sobretudo nos anelos do homem do nosso tempo, encontramos a manifestação da vontade divina para o momento actual. 
Tempos de saber interpretar os «sinais dos tempos» (Mt 16, 1-4).

Nossa Senhora não encontrou a Palavra de Deus exclusivamente na Bíblia. Descobriu-a também na vida. É o que nos diz S. Lucas: «Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Os acontecimentos de Nazaré e de Belém trazia-os a Senhora bem gravados na mente e reflectia assiduamente neles.
Para Maria, a Bíblia era o Antigo Testamento, pois o Novo ainda não estava escrito. A Senhora estava a vivê-lo. Era até um dos seus mais destacados personagens. Pois Maria ia refletindo no que lhe acontecia, procurando no Antigo Testamento - a Bíblia do seu tempo - o significado da sua vida.

Também nós temos de proceder como a Senhora. Não basta ler a Escritura Sagrada. É preciso ler também a vida e comparar os acontecimentos com a Palavra de Deus.
O Senhor, com efeito, fala-nos por dois canais: a Bíblia e a vida. Temos de estar atentos a ambos. Não basta saber que, no tempo de Cristo e da Senhora, foi "assim ou assado". 
É necessário descobrir como Deus quer que seja hoje. Não podemos falar ao homem do século XXI como o autor bíblico falava ao homem do seu tempo. É preciso traduzir o Evangelho para a linguagem e as necessidades actuais. Para isso, teremos numa mão a Bíblia, que nos diz o estilo da actuação de Deus, e na outra o jornal, que nos mostra a vida dos homens e os seus anseios universais, expressão da vontade actual do Pai Celeste. Por isso, mais que nunca, a Igreja, como Maria outrora, deve estar atenta à vida dos homens. Este seu programa traçou-o ela na Constituição conciliar «Gaudium et Spes».

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

terça-feira, 1 de maio de 2018

Deus fala a Maria

Leitura Bíblica:
"Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela."
(Lc 1, 26-38)

Comentário:
Sentem os homens que Deus lhe fala?
Falou-te Deus alguma vez? Tens experiência de ter ouvido a Sua voz? E os homens dos nossos dias sentem que Deus lhes dirige a Palavra?
A verdade é que muitos têm a impressão de que Deus emudeceu. Se olharmos para o mapa-mundi, deparamos com o fenómeno novo de encontrarmos zonas enormes de países que se dizem ateus. Por cada três pessoas, uma ou é comunista ou vive sob o regime comunista. E, entre os cristãos, é cada vez maior o número dos que vão deixando de acreditar. Houve até quem falasse da «morte de Deus».
Mas Deus falou a Maria. Falou aos Patriarcas e aos Profetas. Nestes tempos, que são os últimos, falou-nos pelo Seu Filho. O Padre Pio, a Alexandrina, a Lúcia, justificam que Deus lhes falou. Continua ainda a falar a muitos cristãos.

Será que foi Deus que emudeceu ou é o homem que se tornou mudo à Sua voz? Para um surdo voluntário sempre tem de haver um surdo involuntário, por mais que este grite. A verdade é que hoje é mais difícil ouvir a voz de Deus do que outrora. Noutros tempos era fácil ouvir a voz do Senhor: no ribombar do trovão dizia-se até que era o «Pai do Céu a ralhar»; na chuva e no vento, no sol e na sombra, pois pensava-se que Deus regulava estes fenómenos em cada caso. Hoje não é fácil ouvir a voz de Deus no roncar dos motores, no barulho ensurdecedor da fábrica ou, menos ainda, no estampido das bombas ou no troar dos canhões.

A natureza é sagrada. A técnica profana. Um camponês, com toda a naturalidade, põe-se a rezar para o Senhor fazer frutificar a semente lançada no seio da terra. Mas é impossível, quando avaria o motor, pôr-se o técnico a rezar para que Deus lho conserte.

No entanto, o homem da técnica precisa de Deus. A juventude dos países super-civilizados sente a necessidade de outros valores que a máquina lhe não pode dar e, à sua procura, foge para o misterioso oriente. A técnica tem o perigo de reduzir o homem à categoria de uma peça.
Se temos sido surdos à voz do Senhor, não endureçamos hoje os nossos corações. Construamos na nossa vida espaços de silêncio para ouvir a Deus.

Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A brasa... isolada

Um membro de um determinado grupo no qual participava regularmente, sem nenhum aviso ou causa aparente afastou-se e desapareceu.
Após algumas semanas, o responsável do grupo preocupado com sua ausência decidiu visitá-lo em sua casa.  Era uma noite muito fria. O responsável encontrou o colega em sua casa sozinho, sentado diante de uma quentinha e brilhante lareira.
Já supondo a razão para a visita, o homem deu-lhe boas-vindas, conduziu-lhe a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto esperando a bronca. O responsável se fez confortável, mas não disse nada. No silêncio sério, contemplou a dança das chamas em torno da lenha ardente.
Após alguns minutos, o responsável examinou as brasas, cuidadosamente apanhou uma brasa ardente e deixou-a de lado. Então voltou a sentar-se e permaneceu silencioso e imóvel. O anfitrião prestou atenção em tudo, fascinado e quieto.
Então diminuiu a chama da solitária brasa, houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez.  Logo estava frio e morto.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o cumprimento inicial. O responsável antes de se preparar para sair, recolheu a brasa fria e inoperante e colocou-a de volta no meio do fogo. Imediatamente começou a incandescer uma vez mais com a luz e o calor dos carvões ardentes em torno dela. Quando o responsável alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
“Obrigado tanto por sua visita quanto pelo sermão. Eu estarei voltando ao grupo amanhã mesmo”.

Aos membros de um grupo:
Vale sempre lembrar-lhes que eles fazem parte da “chama” do grupo e que longe dela perdem todo seu brilho e nos tornamos mais vulneráveis aos ataques do inimigo. 

Aos responsáveis:
Vale a pena sempre lembrar- lhes que eles também são responsáveis de manter acesa a chama de cada um e de promover a união entre todos eles, para que o fogo seja sempre realmente forte, eficaz e duradouro.

Exemplo de perseverança, a força do grupo e a vida em comunidade...

"Sem abandonarmos a nossa assembleia - como é costume de alguns - mas animando-nos, tanto mais quanto mais próximo vedes o Dia." (Hb 10, 25)

fonte e imagem: internet

O peso das comodidades

«A maior parte dos luxos e muitas das chamadas comodidades não só não são indispensáveis, como são, pelo contrário, verdadeiros obstáculos ao progresso da humanidade.»

Conta-se que Sócrates ia para o meio das mercadorias e produtos oferecidos pelo mercado de Atenas para exclamar, satisfeito: «De quantas coisas não tenho absolutamente necessidade».

A sociedade moderna levou-nos, com o seu consumismo, a um nível altíssimo de necessidades não necessárias. Muitas “comodidades” são absolutamente exorbitantes, apenas úteis para enriquecer quem as produz e se destaca na habilidade de convencer-nos que sem elas não podemos viver decorosamente.

É este também o pensamento expresso pelo escritor americano Henry David Thoreau (1817-1862), na sua obra “Walden ou a vida nos bosques” [editado em Portugal pela Antígona], espécie de diário da sua vida durante dois anos sozinho numa cabana junto ao lago de Walden, no Massachusetts.

É verdade que pode também haver uma retórica da vida na natureza, primitiva e solitária, e talvez o próprio Thoreau seja algo indulgente em relação a ela.

Todavia, a lógica frenética dos consumos, a publicidade comercial marteladora, a preguiça e o prazer sem esforço encheram-nos de produtos que impelem para fora de nós mesmos a nossa, o compromisso, a sobriedade, a generosidade.

O estilo clássico da Quaresma era o da separação, da renúncia, da abstinência, do jejum. Agora, no máximo, conhece-se a dieta mas ignora-se o domínio de si, o essencial, a purificação do espírito da posse e da acumulação.

Um autêntico progresso moral ocorre quando nos libertamos das escórias, dos adornos, das comodidades inúteis. O apego às coisas torna-nos não só pesados fisicamente, mas pesados na mente e no coração, extinguindo a leveza e a liberdade da alma.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi 
fonte: http://www.snpcultura.org/o_peso_das_comodidades.html
Imagem: Internet