sexta-feira, 29 de junho de 2018

Neste mundo vale a pena, o quê?

Nada, tudo o que há nele, não vale nada, absolutamente nada!!!
Em relação aos que nascem em berço de ouro, eles são muito poucos em relação ao todo da população mundial.
Todos os seres humanos nascem e morrem. Apesar de esta lei ser consequência do pecado, todos os humanos não importa quem sejam eles, todos têm os seus próprios problemas no decorrer desta vida terrena, uns mais, outros menos e de diferentes modos.
Até as dores são necessárias ao homem sinalizando lhe que alguma coisa vai mal em seu corpo. O homem sofre de preocupações, desgostos, incertezas, solidão, fracassos e falta de poder para determinar o seu futuro e certezas.
Até o prazer sexual dura pouco por tantos desgastes físicos e mentais exigidos.

Além disso, as doenças físicas, mentais, há sempre um mal espreitando o ser humano, e todo o cuidado é pouco, tudo é vaidade nesta vida, isto é, passa... e às vezes passa depressa para muitos.

Neste assunto só existe uma solução para os humanos: Deus.

É difícil de entender a atitude do homem: Sabendo de todo o mal sobre ele, o homem se recusa a acreditar em Deus, e muito menos a crer em seu Filho Jesus, o Messias, para ser salvo e ter uma vida vitoriosa contra o mal.
Pelos fatos demonstráveis, me parece que o homem pecador julga Deus como um ser mau, mentiroso, e enganador...

É bem verdade que o Diabo cega o entendimento espiritual do pecador para ele não ver que a luz, a verdade e a justiça está em Deus.
Somente Deus pode salvar o pecador de seus pecados e lhe dar a vida eterna.
Muitos acham que o sofrimento nesta terra lhes dá o mérito com Deus.
Isto é a grande mentira do Diabo e o homem a aceita...

Vejamos este caso à luz da verdade: O Senhor Jesus, o Messias disse: “Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»
”. (Mt 5, 11-12)
Sofrer pelo nome de Deus, de sua justiça de seu reino é bom, e o próprio Deus nos recompensará. Mas agora, sofrer pelos nossos erros e mal feitos Deus nos julgará.
Já sabemos que os sofrimentos nesta terra é consequência de nossos pecados contra Deus.

Nas Sagradas Escrituras lemos: “De que se lamentará um ser vivente, um homem, acerca do seu pecado?” (Lam.de Jeremias 3, 39)
Nesta vida todos de uma forma ou de outra, todos sofrem e a vida passa rapidamente. Todo podem ter momentos felizes e infelizes.

Portanto, se a vida é passageira, de curta duração por que tanto esforço por nada?
Deus nos oferece só o bem, a felicidade e a imortalidade pelo Evangelho de nosso Senhor Jesus, o Messias; porque não aceita-lo?
Na Bíblia lemos: “Ora, o mundo passa e também as suas concupiscências, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (1 Jo 2, 17)
Deus tem um plano eterno, maravilhoso e feliz para todos, e este plano, esta vida eterna está em Jesus, o Messias.

Caro internauta, não perca mais o teu tempo em coisas que jamais te farão feliz, busque o Senhor Deus de todo o teu coração e Nele encontrarás tudo o que precisas para a tua vida nesta terra e na eternidade.

Veja bem o convite de Jesus, o Messias aos pecadores: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. ». (Mt 11, 28-29)

O Filho de Deus neste momento está falando ao teu coração, e te oferece a salvação eterna que Ele pagou para ti, dando a sua Vida na Cruz do Calvário.
O Deus Eterno te ama, creia Nele e então tu terás o Seu Espírito vivendo em teu interior, e assim serás um vencedor sobre todas as coisas.

O Filho de Deus, o Senhor Jesus, o Messias, declara: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida.”. (Jo 5, 24)

Eis aí, agora a tua oportunidade, creia no Senhor Jesus, o Messias e teus pecados Ele perdoará e receberás d'Ele pela fé a vida eterna. Receba-O em seu coração!


Imagem: Internet
Texto: E. C. Navarro

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Corpus Christi

O que é a Festa do Corpo de Deus ou Corpus Christi?
Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo, generalizada em Portugal como Corpo de Deus é um evento baseado em tradições católicas realizado na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma "Festa de Guarda" onde a participação da Santa Missa neste dia é, para os católicos, obrigatória, na forma estabelecida pela conferência episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cânone 944) que determina ao bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que, nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o bispo (cânone 395).

História:
A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. O papa Urbano IV, na época o cónego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège, na Bélgica, recebeu o segredo da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Por volta de 1264, numa cidade próxima a Orvieto (onde o já então papa Urbano IV tinha sua corte), chamada Bolsena, ocorreu o Milagre de Bolsena, em que um sacerdote celebrante da Santa Missa, no momento de partir a Sagrada Hóstia, teria visto sair dela sangue, que empapou o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa). O papa determinou que os objetos milagrosos fossem trazidos para Orvieto em grande procissão em 19 de junho de 1264, sendo recebidos solenemente por Sua Santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico de que se tem notícia. A festa de Corpus Christi foi oficialmente instituída por Urbano IV com a publicação da bula Transiturus em 8 de setembro de 1264, para ser celebrada na quinta-feira depois da oitava de Pentecostes. Para um maior esplendor da solenidade, desejava Urbano IV um Ofício para ser cantado durante a celebração. O Ofício escolhido foi composto por São Tomás de Aquino, cujo título era Lauda Sion (Louva Sião). Este cântico permanece até à atualidade nas celebrações de Corpus Christi. 

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o papa morreu em seguida, menos de um mês depois da publicação da bula Transiturus. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colónia, na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colónia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois em França e na Itália. Em Roma, é encontrada desde 1350.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: «Este é o Meu corpo... isto é o Meu sangue... fazei isto em memória de mim». (Lc 22, 19-20)  Segundo Santo Agostinho, é um memorial de imenso benefício para os fiéis, deixado nas formas visíveis do pão e do vinho. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.

Corpus Christi é celebrado 60 dias após a Páscoa, podendo cair, assim, entre as datas de 21 de maio e 24 de junho.

Festa em Portugal:
Em Portugal tradicionalmente é dia feriado. Em 2013, 2014 e 2015, o feriado foi retirado, mas regressou em 2016. Neste dia, em todas as 20 dioceses de Portugal fazem-se solenes procissões a partir da igreja catedral, tal como em muitas outras localidades, que são muito concorridas. Estas procissões atingem o seu esplendor máximo em Braga, Porto e Lisboa.

Ordenada por D. Dinis, a festa do Corpus Christi começou a ser celebrada em 1282, embora haja referências à sua comemoração desde os tempos de D. Afonso III. Em Portugal, a festa era antigamente celebrada com danças, folias e procissões em que o sagrado e o profano se misturavam. Representantes de várias profissões, carros alegóricos, diabos, a serpe, a coca, gigantones, ao som de gaitas de foles e outros instrumentos, desfilavam pelas ruas. Das danças dos ofícios, em Penafiel, ainda se celebram o baile dos ferreiros, o baile dos pedreiros e o baile das floreiras. Esta celebração tem uma conotação muito forte no Minho, particularmente em Monção e em Ponte de Lima. Em Ponte de Lima, a tradição d'O 
Corpo de Deus perdura já há vários séculos.

O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa, ou mais correctamente na Quinta-feira que se segue ao Domingo da Santíssima Trindade (que, por sua vez, é o primeiro Domingo a seguir ao Pentecostes) seguindo a norma canónica. A diferença prende-se no fato de, no dia posterior ao feriado nacional, realizar-se uma celebração, própria e exclusiva da vila, tendo sido decretado desde 1977 feriado para todos os Limianos.

As celebrações do Corpo de Deus realizam-se durante todo o dia, sendo os Limianos presenteados com uma procissão da parte da manhã e outra da parte da tarde em volta da vila e uma missa para todos os habitantes do Concelho no próprio dia, sempre ao meio-dia, na Igreja Matriz. Em Braga, é também tradição, desde 1923, a presença maciça de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português, pois foi nessa procissão que os mesmos se apresentaram em público naquele ano.

fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_Christi
imagem: Internet

Festa da Visitação de Maria

Leitura Bíblica:
"Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»
Maria disse, então:
«A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que o temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência, para sempre.» Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa."
(Lc 1, 39-56)

Comentário:
O culto está orientado para a vida. Por isso, ao encerrarmos o mês de Maria, somos convidados a pôr em prática o que aprendemos aos pés da Senhora. A festa de hoje sugere três propósitos principais que devemos fazer na conclusão deste mês:
1) Comunicar a Boa Nova da alegria
2) Glorificar o Senhor na fé
3) Transformar o mundo.

As pessoas andam, com frequência, tristes. O peso da vida, o desabar de tantos sonhos, as preocupações diárias, as doenças, os contratempos, geram o desânimo e, por vezes, trazem o desespero. No meio de tudo isto é preciso que brilhe nos nossos corações a luz da esperança. No tempo de Maria, o Povo de Deus vivia acabrunhado e jazia num certo imobilismo, sujeito ao jugo estrangeiro. Mas um grupo de pobres - «os pobres de Javé» - teimava em esperar uma intervenção de Deus. Esta não faltou. E surgem acontecimentos íntimos, escondidos, que transformam a alma de Maria, que inundam de alegria a alma de Isabel. E a esperança cresce e, com ela, a alegria comunica-se pelas montanhas da Judeia. As pessoas dão-se as mãos, ajudam-se umas às outras e, em segredo transbordante, anunciam notícias alegres. E até o menino João Baptista salta de alegria no seio materno.

Ao sentir o Senhor presente e actuante na sua vida, é a própria Isabel que exclama: «Feliz aquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lc 1, 45). Ao que Maria respondeu: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 46-47).
A esperança alegre aumenta a fé e a caridade. Ver Deus nos acontecimentos da vida e manter com Ele sentimentos filiais de gratidão, é uma atitude profundamente cristã e mariana. Apesar de terminar o mês de Maio, devemos continuar a orar, a glorificar o Senhor, a admirá-l'O nas Suas obras e a cantar-Lhe o hino de gratidão.

O «Magnificat» é um cântico profundamente revolucionário. Cantamo-lo, frequentemente, sem nos darmos conta do que dizemos. Contudo, ele é o cântico dos pobres vitoriosos e libertados. Diz assim:
«E a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. «Exerceu a força do Seu braço, e dispersou os soberbos de coração. «Cumulou de bens os famintos e aos ricos despediu-os de mãos vazias» (Lc 1, 50-53).
Isto é a transformação total. É a reviravolta de um mundo edificado sobre o poder, o ter e o saber, para o construir segundo a vontade de Deus. Os cristãos têm obrigação de participar nesta grandiosa tarefa!

Imagem: Internet
Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica (1978)


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Os Santuários de Maria

Leitura Bíblica:
"Jesus declarou-lhe: «Mulher, acredita em Mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai. Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende. Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-l'O em espírito e verdade.»"
(Jo 4, 21.23-24)

Comentário:
Temos, através do mundo cristão, certos lugares particulares queridos aos fiéis, os quais, por isso mesmo, são lugares de peregrinação, isto é, de concentração de muitos crentes. Entre os lugares mais famosos da Antiguidade, lembremos apenas: Jerusalém, com o Calvário e o Sepulcro do Senhor; Belém, com a Gruta do Nascimento; os lugares da Terra Santa, marcados pela recordação da presença viva de Jesus; Roma, com os sepulcros dos Apóstolos São Pedro e São Paulo; Compostela, onde se pensa estar sepultado o Apóstolo São Tiago; o Monte de São Miguel dedicado a este anjo, etc. Nos últimos tempos, surgiram alguns centros de peregrinação, particularmente célebres, dedicados a Maria, como Lourdes e Fátima.

O homem religioso tem necessidade de lugares e de coisas sagradas: Santuários, imagens, relíquias, estampas, objectos benzidos. E assim por diante. Esta necessidade é psicológica. Brota do sentimento religioso e é sua expressão. Por isso, encontramo-la em qualquer religião, e até em maior profusão do que no cristianismo. Precisamente, o cristianismo, numa linha profética, lutou contra os abusos do sentimento religioso, entregue a si próprio. Na verdade, um excesso de sentimento religioso está na base do politeísmo, do bruxedo, da idolatria. Já S. Paulo dizia aos atenienses que eles «eram os mais religiosos de todos os homens» (Act 17, 22), pois não havia «deus» que não tivesse, no areópago, o seu altar.
É realmente perigoso darmos demasiada importância ao lugar, ao santuário, às imagens e aos objectos sagrados, em prejuízo das pessoas. Seria caírmos numa inversão de valores. Porquê? Porque a pessoa humana é o que há de mais sagrado sobre a terra. Tudo o mais - lugares, objectos, imagens e coisas sagradas - estão ao seu serviço.

O cristianismo representa um esforço pela espiritualização do culto. É uma luta para libertar as pessoas dos exageros escravizantes do sentimento religioso. Assim, em vez do templo de pedra, Cristo e os cristãos são templos de Deus. Os verdadeiros templos do Deus vivo. É este o significado dos textos evangélicos sobre a expulsão dos vendilhões do Templo, sobre a destruição do Templo de Jerusalém, do rasgar-se do véu do Santuário, etc. Lê-se no Apocalipse: «Não vi templo algum na cidade, porque o Senhor, Deus Todo Poderoso, é o seu Templo, assim como o Cordeiro» (21, 22). E S. Paulo pergunta: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?» (1Cor 3, 6). Outros textos: Jo 2, 13-23; 1 Cor 6, 19, etc.

Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

terça-feira, 29 de maio de 2018

Maria e as mudanças na Igreja

Leitura Bíblica:
"Tendo Jesus chegado a casa, de novo a multidão acorreu, de tal maneira que nem podiam comer. E quando os seus familiares ouviram isto, saíram a ter mão nele, pois diziam: «Está fora de si!»"
(Mc 3, 20-21)

Comentário:
Depois do Concílio, tem havido muitas mudanças na Igreja. Lembremos as mudanças verificadas na celebração da Eucaristia, no jejum eucarístico e quaresmal, na lei da abstinência e das indulgências, na nova atitude política, no novo modo de apreciar as coisas, da maneira actual de tratar os protestantes como irmãos. E assim por diante. Todas estas mudanças, e outras mais que se estão a processar, causam dores de cabeça a muita gente. Não conseguem entender o porquê de tudo isto e, naturalmente, as pessoas preocupam-se. Mas é bom sinal, significa que se interessam pela sorte da Igreja.

Nossa Senhora viveu um período de mudanças muito mais profundas que as verificadas nos nossos dias. Como qualquer israelita, ela tinha sido educada no respeito sagrado pela Lei de Moisés. S. Lucas mostra-nos a Senhora a apresentar o Menino Jesus no templo, Jesus foi circuncidado no oitavo dia do seu nascimento (Lc 2, 21); os seus pais levavam-no, todos os anos, em peregrinação a Jerusalém, pela festa da Páscoa (Lc 2, 41 ss).
Não exageramos nada se imaginarmos Nossa Senhora e S. José como uma piedosa família judia da época, observante fiel das prescrições mosaicas. Mas Jesus cresce e começa a ensinar coisas nunca dantes ouvidas: que não se deve dar tanta importância ao sábado, pois este «foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27); que, para adorar o Pai, não é preciso subir a Jerusalém, pois «os verdadeiros adoradores adorá-l'O-ão em espírito e verdade» (Jo 4, 20-24); que o Templo, orgulho nacional da religião judia, vai ser destruído. Jesus, Santo Estêvão e S. Paulo são acusados e condenados por estarem contra o Templo e, naturalmente, contra o que ele significa: sacerdócio, sacrifício, culto mosaico... (Mc 13, 2; 14, 58; Act 6, 13 ss).
Com Jesus nasce uma nova fé. Para Maria foi uma mudança espantosa. Terá também ela sofrido com tais mudanças? Vários textos evangélicos o fazem supôr. Simeão fala duma «espada de dor» (Lc 2, 33-35); outros textos dizem-nos claramente que a família de Jesus não O entendia (Lc 2, 48-50; Jo 7, 3-5) e até chegaram a pensar que Ele não estava bom (Mc 3, 20-21).

As actuais mudanças na Igreja foram decretadas por ela mesma reunida em Concílio. Talvez alguns tenham exagerado nessas mesmas mudanças. O certo, porém, é que ainda há muito a reformar para cumprirem a vontade do Senhor, manifestada nos documentos conciliares. É possível que algumas pessoas sofram com tudo isto. Entretanto, como Maria, esforcemo-nos por estar atentos à voz de Deus. Porque é o Seu Espírito que «faz rejuvenescer a Igreja com a força do Evangelho e a renova continuamente» (LG 4).

Siglas:
LG - Lumen Gentium (Constituição Dogmática sobre a Igreja) 

Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Quantas Nossas Senhoras há?

Leitura Bíblica:
"«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’ Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’"
(Mt 25, 31-40)

Comentário:
A piedade popular católica multiplicou os títulos marianos. São muitas as «nossas senhoras» que encontramos por esse Portugal fora: Nossa Senhora do Sameiro, da Fátima, da Franqueira, da Saúde, do Carmo, dos Remédios, das Graças, etc. Há igrejas que têm duas, três, quatro ou mais imagens diferentes de Maria. A gente culta sabe muito bem que Maria é uma só. É-nos, todavia, apresentada em diversos aspectos da sua vida terrestre: menina, donzela, adulta; a ir à água à fonte, a fugir para o Egipto, a alimentar o Menino Jesus, a ler a Sagrada Escritura, a orar. E assim por diante. É-nos também apresentada na sua função actual junto dos cristãos como Mãe da Igreja, Rainha dos Mártires, Mãe dos homens. Aparece-nos ainda adornada com outros títulos de gosto popular, como Nossa Senhora dos Aflitos, Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora dos Prazeres, ou com títulos ligados ao lugar onde se encontra um seu santuário, como Nossa Senhora da Fátima, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Sameiro...

Todo o católico, com dez reis de cultura cristã, sabe muito bem que Nossa Senhora é uma só. Pois, como diz o Poeta: «Senhora do Sameiro, da Fátima, da Paz / Chamar por uma e por todas / É o mesmo: tanto faz» (Correia de Oliveira). Apesar de tudo, a muitas pessoas, tantos títulos marianos causa-lhes confusão. Certos comportamentos práticos de muitos levam mesmo a concluir que eles julgam tratar-se de «nossas senhoras» diferentes, quando dizem, por exemplo: «A Senhora de tal lado não vale nada, não faz milagres nenhuns; a de tal, sim, essa é que é milagrosa...» Não é raro depararmos também com um apego irracional a uma determinada imagem de Maria, não por causa do seu valor histórico, artístico ou religioso, mas porque se crê que tal imagem é mais taumaturga do que outra, está revestida de especiais poderes.

Alguns textos bíblicos proibem o culto das imagens: «Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe em baixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra» (Ex 20, 4; Dt 27, 1-5; 4, 9-28).
Este preceito deve ser interpretado no ambiente bíblico da época. Os povos adoravam, então, muitos ídolos e deuses. Além disso, havia pouca gente culta. Por isso, facilmente se identificava Deus com uma imagem d'Ele. Para evitar tais perigos é que a Bíblia proibe as imagens. Mas afastados esses perigos, as imagens podem ajudar-nos muito a pensar em Deus e nos Seus santos, como a fotografia do pai, da mãe, da namorada, nos ajudam a pensar neles. Neste sentido, os cristãos começaram por ter imagens daqueles que se dintinguiram nas virtudes evangélicas, como Nossa Senhora e os santos. Por meio de imagens e quadros, também representamos certas verdades da fé, como o Espírito Santo, a Santíssima Trindade, a Eucaristia, etc.

Antes de mais, importa ter bem presente que a principal imagem de Deus sobre a terra somos nós: «Deus criou o homem à Sua imagem» (Gn 1, 26-27). As imagens de madeira ou de pedra não foram feitas à imagem de Deus. Mas nós somos imagens de Deus, pela criação, e imagens de Cristo pelo baptismo. Ora acontece que temos tanta preocupação pelas imagens vivas que são as pessoas. Se for preciso, até construímos uma casa para guardar uma imagem. E, à nossa volta ou longe de nós, há tantas pessoas sem casa, sem pão, sem carinho! 

Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

domingo, 27 de maio de 2018

Senhora da Paz

Leitura Bíblica:
"Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»"
(Jo 20, 19-23)

Comentário:
Vivemos num mundo de contrastes. O custo de um bombardeiro atómico, por exemplo, daria para construir 75 hospitais com 1000 camas cada um; ou para construir 30 faculdades com 1000 alunos cada uma; ou para pagar salários a 15 000 ceifeiras, o que aumentaria extraordinariamente a produção dos nossos campos. O custo de um porta-aviões atómico daria para comprar 3000 milhões de trigo capazes de dar pão, durante um ano, a uma cidade como a do Porto. O custo de um foguetão daria para comprar 1000 toneladas de açucar; o de um submarino, para 50 000 toneladas de carne. Vejamos agora o reverso da medalha: por cada três pessoas que habitam este planeta, duas passam fome; temos ainda três milhões de analfabetos, milhões de doentes sem assistência hospitalar, etc. No entanto, a humanidade dá-se ao luxo de gastar rios de dinheiro em preparativos bélicos e em guerras.
Diz Paulo VI: «Quando tantos povos têm fome, tantos lares vivem na miséria, tantos homens vivem mergulhados na ignorância, tantas escolas, hospitais e habitações dignas deste nome ficam por construir, torna-se um escândalo intolerável qualquer esbanjamento público ou privado, qualquer gasto de ostentação nacional ou pessoal, qualquer recurso exagerado aos armamentos» (Populorum Progressio, 53).

Em todo o mundo a humanidade anseia pela paz. A juventude do mundo inteiro é a que melhor manifesta esta consciência dos homens do nosso tempo. Porque tem direito a viver em paz. Talvez mais do que ninguém, neste particular, o Papa Paulo VI tem sido um autêntico campeão na promoção da paz. Instituiu, no dia de Ano Novo, o Dia Mundial da Paz. No dia 4 de Outubro de 1965, festa de S. Francisco de Assis, o Papa deslocou-se à sede da ONU, em Nova Iorque, para pregar a paz às nações. Nesse discurso memorável, disse: «Nunca mais a guerra! Sempre a Paz!...» Se deveras quereis ser irmãos, deixai cair das vossas mãos as armas... ou a humanidade porá fim à guerra ou a guerra porá fim à humanidade». E em Fátima, disse: «Homens..., procurai ser dignos do dom divino da paz. Homens, sede homens!» Em discursos, visitas, mensagens e outros meios de actuação, Paulo VI leva sempre no seu coração a ânsia da paz. E fá-lo, não por razões de interesse pessoal ou de carácter político, mas porque é seu dever pregar a Boa Nova da paz.


Diz uma das bem-aventuranças evangélicas: «Felizes os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9). Um cristão não pode ser pela guerra, porque Deus é pela paz. Como construir a paz? Responde o Concílio: «Para edificar a paz, antes de mais, é preciso eliminar as causas das discórdias entre os homens, sobretudo as injustiças, que são o alimento das guerras» (GS 83). Nossa Senhora em Fátima manifestou-se contra a guerra. Anunciou o fim da primeira guerra mundial, e disse que o pecado era a sua causa. O Concílio que, em frase de Paulo VI «é o Evangelho para o homem do nosso tempo», afirma que tais pecados são «sobretudo as injustiças». Elas «são o alimento das guerras». Por isso, a palavra de ordem para o Dia Mundial da Paz em 1971 era: «Se queres a paz, luta pela justiça». E a «Populorum Progressio» ensina: «Desenvolvimento é o novo nome da paz». Não esqueças, cristão, que a «paz também depende de ti».

Siglas:
GS - Gaudium et Spes (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo)

Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet