segunda-feira, 7 de maio de 2018

Maria fala com Deus

Leitura Bíblica
"«Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te. Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.»
«Rezai, pois, assim:
‘Pai nosso, que estás no Céu,
santificado seja o teu nome,
venha o teu Reino;
faça-se a tua vontade,
como no Céu, assim também na terra.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia;
perdoa as nossas ofensas,
como nós perdoámos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do Mal.’
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós.
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas.»" 
(Mt 6, 5-15)

Comentário
É um facto: hoje reza-se menos. Isto preocupa a Igreja dos nossos dias. Será que antigamente se rezava demais? A verdade é que, numa civilização rural e pastoril, era mais fácil rezar. O camponês reza para vir sol e para vir chuva. Acende velas a Santo Antão para os animais terem saúde. Faz promessas para a terra dar os seus frutos. Queima alecrim, benzido no Domingo de Ramos, para Deus afastar para longe os relâmpagos e as trovoadas. Além disso, o ritmo da vida agrícola, com as quatro estações a repetirem-se ciclicamente, trzaendo o período das sementeiras e das colheitas, cria tempos fortes de oração: são as «rogações» do tempo das colheitas e do crescimento das plantas e as «ações de graças», no tempo da colheita. No meio industrial, geralmente, isto não se verifica. As máquinas, com efeito, produzem invariavelmente a mesma quantidade. Esta monotonia não faz germinar especiais momentos de oração.

A actual crise de oração está ligada com a crise de civilização. Através do boletim meterológico, lido diariamente na televisão, ele sabe que o estado do tempo depende  mais dum conjunto de circunstâncias naturais do que da oração. Também não recorrerá nem a S. Jerónimo nem a Santa Bárbara num dia de trovoada, pois o seu tecto está bem protegido por um pára-raios. Não se porá a rezar para aumentar a produção, pois sabe muito bem que isto depende de ter ou não ter máquinas potentes e afinadas.

Apesar de tudo, o homem da cidade e da era industrial precisa de rezar, talvez mais do que nunca. Mas tem de ser uma oração acomodada ao novo tipo de civilização. O Evangelho segundo S. Mateus (6, 5-15) apresenta-nos a oração cristã como algo revolucionário no panorama da oração daquele tempo. Não oreis nem como os fariseus, para serem vistos pelos outros, nem como os pagãos, com gestos e palavriado ôco, porque o vosso Pai celeste sabe do que vós necessitais antes de Lho pedirdes.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

domingo, 6 de maio de 2018

Maria transmite a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram "Servidores da Palavra", resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído." 
(Lc 1, 1-4)

Comentário
Quando Cristo morreu, o Novo Testamento não estava ainda escrito, como é evidente. Este foi aparecendo aos poucos, segundo a necessidade de pôr por escrito a fé cristã. Assim, primeiro S. Paulo escreveu algumas cartas às Igrejas por ele fundadas. Entretanto, na catequese e na pregação, iam-se repetindo certos acontecimentos que, de tanto repetir, começavam a tomar uma forma fixa. Tal acontecia com certos ditos do Senhor, parábolas, narrações de milagres. E assim por diante. Depressa começaram a aparecer folhas soltas em pequenos credos, cânticos e hinos, exortações morais, homilias pascais e outros textos cristãos, para serem utilizados na liturgia, na catequese e noutras actividades sagradas daquela época.

Por volta do ano 70, uns 40 anos depois da morte de Cristo, apareceu, editado em Roma, segundo se supõe, o Evangelho de S. Marcos. Este evangelho, compilando folhas soltas anteriores, tornou-as desnecessárias. Além disso, enquadra a actividade messiânica de Jesus no esquema de um ano litúrgico. S. Mateus e S. Lucas, embora dispondo de outro material e doutras informações, escreveram também os seus evangelhos, tendo por base o esquema de S. Marcos. Nasceram assim os chamados Evangelhos Sinópticos ou paralelos. Estes, embora nascidos em igrejas diferentes, e para responder a situações diversas, conservam um certo paralelismo, ainda que, cada um deles, nos dê uma fotografia de Cristo de ângulo distinto.

Ignoramos o papel de Maria na redação dos Evangelhos. Certamente deve ter sido grande. Umas das constantes dos evangelhos é interpretar os acontecimentos da vida de Cristo à luz das Escrituras. Como sabemos, para Cristo, para Maria e para os cristãos da primeira geração, a Bíblia era unicamente o Antigo Testamento. O Novo Testamento, com efeito estava ainda a realizar-se. Não existia, pois, como livro escrito. Por isso, os cristãos dessa época, Maria incluída, liam o Antigo Testamento e viam como ele se realizou em Jesus. Assim fez o diácono Filipe com o eunuco da rainha da Etiópia (Act 8, 26-40). Assim fazia Maria que meditava em tudo o que Lhe acontecia, conferindo-o com a sua Bíblia, o Antigo Testamento (Lc 2, 19).

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

sábado, 5 de maio de 2018

Maria cumpre a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"«Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»" 
(Mt 7, 24-27)

Comentário
O grande problema, que a todos diz respeito, não está tanto em ouvir, mas em cumprir. Com efeito, ouvir a palavra é fácil. Cumpri-la, porém, é difícil. Talvez uma das dificuldades da Igreja pós-conciliar é que se fala muito, mas faz-se pouco. Houve até quem propusesse um ano de silêncio total, em que deixássemos de falar e nos metessemos só a executar os documentos conciliares. Há, na verdade, a tentação dum certo vedetismo, a mania do sensionalismo. Esta tendência é agravada pelos actuais meios de comunicação social: a imprensa, a rádio e a TV, coisas pouco usadas noutros tempos.

Reconhecendo, embora, o perigo de uma verborreia ociosa, temos também de cair em conta de que antes, de executar, é preciso pensar, discutir e dialogar. É este o caminho normal da psicologia humana. Também aqui se pode dizer que, no começo, está o verbo e a palavra. Na Bíblia, a abundância da palavra é um dos sinais da chegada dos tempos messiânicos (cf. Jl 3, 1-2; Act 2, 1-4). Por isso, se desata a língua de Zacarias (Lc 1, 64-67) e Cristo faz ouvir os surdos e falar os mudos (Mt 9, 32-34; 12, 22-24; Mc 9, 17-27). Mas é preciso que aquele que fala, não o faça movido pela vaidade ou por outras intenções menos nobres, mas que seja empurrado por Deus. Assim acontecia aos profetas, denunciando as injustiças (Am 7, 10; Jer 20, 7-17; Os 1, 1; Jo 1, 1), ou aos Apóstolos, anunciando o Evangelho, diziam: «Não podemos calar» (Act 4, 18-20).

Na Igreja e também na sociedade civil, devem existir estes dois tempos, sempre que se trate de realizar qualquer projecto que diga respeito a todos. Com efeito, o que é de todos deve ter a participação de todos. O Concílio foi o tempo de discussão. O pós-concílio deve ser o tempo de execução. Não o tem sido, porquê? Porque o Concílio foi um diálogo, quase exclusivamente a nível episcopal. Só num segundo tempo é que veio um diálogo a nível de toda a Igreja. O Concílio é pedra do diálogo caído no centro do lago. As ondas concêntricas estão levantadas, só agora estão a atingir a periferia do lago, isto é, de todo o povo de Deus. Por isso, a nível de Povo de Deus, estamos em estado de Concílio e, portanto, de diálogo, de discussão. Aparecem, contudo, os sinais dos tempos da execução no cansaço pela discussão.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Maria medita a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»" (Lc 4, 16-21)

Comentário
Os fiéis hoje lêem muito mais a Bíblia do que há anos atrás. Há, porém, muita gente que ainda não a lê. Há ainda aqueles que a queriam ler, mas não sabem manejá-la no seu aspecto técnico. A Bíblia aparece-lhes como um livro complicado. Têm razão. É-o de facto. Com efeito, a Bíblia não é um livro, mas uma biblioteca dos cristãos. 
A edição católica da Bíblia consta, nada mais nada menos, de 72 escritos, muito diversos entre si - desde os escritos de carácter histórico, até aos poemas e às cartas. Mas não é só a diversidade de géneros literários, de estilo e de linguagem que dificulta a leitura da Bíblia. Temos ainda a diversidade de autores, de séculos, de lugares e de mentalidades que a Bíblia reflecte. Com efeito, ainda que ela tenha um único autor divino, não devemos esquecer que tem também muitos autores humanos, que nela se manifestam com a sua mentalidade, o seu temperamento, as suas limitações, as suas preocupações teológicas, etc.

Além disso, muitos católicos não sabem sequer manejar a Bíblia. Para superar este mal, devemos ter presente que ela se divide em duas grandes partes: O Antigo Testamento e o Novo Testamento. Cada um destes Testamentos consta de vários escritos, como se poderá ver no índice. Além disso, cada escrito ou livro bíblico, está dividido em capítulos e os capítulos em versículos.

A Bíblia é uma biblioteca. Tem muitos autores humanos. Representa o itinerário religioso do Povo de Deus durante muitos séculos. Tem, contudo, um denominador comum, um centro espiritual que unifica: Cristo. É à Sua luz que devem ler o Antigo Testamento. Era assim que fazia a Senhora. Como o Novo Testamento ainda não estava escrito, Ela lia o Antigo Testamento para entender o que lhe sucedia a Ela e a Jesus. Assim «o Novo Testamento estava escondido no Antigo e torna-se patente no Novo» (DV 16).

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Maria recebe a Palavra de Deus

Leitura Bíblica
"Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»" (Lc 11, 27-28)

Comentário
Um facto consolador pode ser detectado no catolicismo actual: lê-se muito mais a Bíblia. Cingindo-nos só a Portugal, podemos afirmar que a principal editorial bíblica católica, Difusora Bíblica, tem sentido um extraordinário afluxo de pedidos de Bíblias. Os católicos portugueses estão esfomeados da Palavra de Deus. Este facto, e muitos outros afins, é fonte de optimismo e permite afirmar que a actual crise da Igreja é uma crise de crescimento. Com efeito, diz o profeta Isaías: «Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá sem terem regado e fecundado a terra e feito germinar, dando o grão para semear e o pão para comer, o mesmo sucede com a palavra que sai da Minha boca - diz o Senhor - : não volta sem ter produzido o seu fruto, sem ter executado a Minha vontade e cumprido a sua missão» (Is 55, 10-11).
Sendo assim, se os cristãos ouvem mais a palavra de Deus têm necessariamente de produzir o seu fruto.

Maria ouviu mais do que ninguém, a Palavra de Deus, de tal modo que antes de conceber o Verbo divino no seu corpo, já o tinha concebido no seu espírito. O Evangelho de S. Lucas chega mesmo a afirmar que Maria foi mais feliz por ter escutado a Palavra de Deus do que até por ter gerado a Cristo (cf. Lc 8, 19-21; 11, 27-28). Esta mesma afirmação se encontra frequentemente na Tradição da Igreja.

O Concílio Ecuménico Vaticano II promulgou um documento dedicado à Sagrada Escritura: é a Constituição «Dei Verbum». Pois este documento termina com um capítulo intitulado: A Sagrada Escritura na vida da Igreja. É um veemente apelo a todos os filhos da Igreja Católica para contactarem mais com a Bíblia, tanto na liturgia, como na leitura particular; tanto nas exposições teológicas, como na pastoral quotidiana. Por isso, actualmente temos as mais variadas leituras bíblicas na Missa. Estas foram também introduzidas na liturgia de outros sacramentos: Baptismo, Matrimónio, etc. - É portanto de esperar um novo florescimento na fé.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Como Deus fala a Maria

Leitura Bíblica
"Então, os fariseus e os saduceus aproximaram-se dele; e, para o tentarem, pediram-lhe que lhes fizesse ver um sinal do Céu. Ele respondeu-lhes: «Ao entardecer, vós dizeis: ‘Vamos ter bom tempo, pois o céu está avermelhado’; e, de manhã cedo, dizeis: ‘Hoje temos tempestade, pois o céu está de um vermelho sombrio.’ Como se vê, sabeis interpretar o aspecto do céu; mas, quanto aos sinais dos tempos, não sois capazes de os interpretar! Esta geração má e adúltera exige um sinal! Mas sinal algum lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.» E, deixando-os lá, afastou-se." (Mt 16, 1-4)

Comentário
Deus continua a falar ao homem de hoje. Este deve esforçar-se por ouvir a Sua voz. Fala-nos de duas maneiras principais: através da Bíblia e através da vida.
Na Bíblia, encontramos a experiência de um Povo e o modo como Deus se lhe foi manifestando progressivamente, através dos séculos, conduzindo-o, com admirável paciência, pelos caminhos da salvação, até chegar a Cristo, luz das nações (cf Jo 8, 12; Lc 2, 32; DV 14-16).
Na vida, sobretudo nos anelos do homem do nosso tempo, encontramos a manifestação da vontade divina para o momento actual. 
Tempos de saber interpretar os «sinais dos tempos» (Mt 16, 1-4).

Nossa Senhora não encontrou a Palavra de Deus exclusivamente na Bíblia. Descobriu-a também na vida. É o que nos diz S. Lucas: «Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Os acontecimentos de Nazaré e de Belém trazia-os a Senhora bem gravados na mente e reflectia assiduamente neles.
Para Maria, a Bíblia era o Antigo Testamento, pois o Novo ainda não estava escrito. A Senhora estava a vivê-lo. Era até um dos seus mais destacados personagens. Pois Maria ia refletindo no que lhe acontecia, procurando no Antigo Testamento - a Bíblia do seu tempo - o significado da sua vida.

Também nós temos de proceder como a Senhora. Não basta ler a Escritura Sagrada. É preciso ler também a vida e comparar os acontecimentos com a Palavra de Deus.
O Senhor, com efeito, fala-nos por dois canais: a Bíblia e a vida. Temos de estar atentos a ambos. Não basta saber que, no tempo de Cristo e da Senhora, foi "assim ou assado". 
É necessário descobrir como Deus quer que seja hoje. Não podemos falar ao homem do século XXI como o autor bíblico falava ao homem do seu tempo. É preciso traduzir o Evangelho para a linguagem e as necessidades actuais. Para isso, teremos numa mão a Bíblia, que nos diz o estilo da actuação de Deus, e na outra o jornal, que nos mostra a vida dos homens e os seus anseios universais, expressão da vontade actual do Pai Celeste. Por isso, mais que nunca, a Igreja, como Maria outrora, deve estar atenta à vida dos homens. Este seu programa traçou-o ela na Constituição conciliar «Gaudium et Spes».

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

terça-feira, 1 de maio de 2018

Deus fala a Maria

Leitura Bíblica:
"Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela."
(Lc 1, 26-38)

Comentário:
Sentem os homens que Deus lhe fala?
Falou-te Deus alguma vez? Tens experiência de ter ouvido a Sua voz? E os homens dos nossos dias sentem que Deus lhes dirige a Palavra?
A verdade é que muitos têm a impressão de que Deus emudeceu. Se olharmos para o mapa-mundi, deparamos com o fenómeno novo de encontrarmos zonas enormes de países que se dizem ateus. Por cada três pessoas, uma ou é comunista ou vive sob o regime comunista. E, entre os cristãos, é cada vez maior o número dos que vão deixando de acreditar. Houve até quem falasse da «morte de Deus».
Mas Deus falou a Maria. Falou aos Patriarcas e aos Profetas. Nestes tempos, que são os últimos, falou-nos pelo Seu Filho. O Padre Pio, a Alexandrina, a Lúcia, justificam que Deus lhes falou. Continua ainda a falar a muitos cristãos.

Será que foi Deus que emudeceu ou é o homem que se tornou mudo à Sua voz? Para um surdo voluntário sempre tem de haver um surdo involuntário, por mais que este grite. A verdade é que hoje é mais difícil ouvir a voz de Deus do que outrora. Noutros tempos era fácil ouvir a voz do Senhor: no ribombar do trovão dizia-se até que era o «Pai do Céu a ralhar»; na chuva e no vento, no sol e na sombra, pois pensava-se que Deus regulava estes fenómenos em cada caso. Hoje não é fácil ouvir a voz de Deus no roncar dos motores, no barulho ensurdecedor da fábrica ou, menos ainda, no estampido das bombas ou no troar dos canhões.

A natureza é sagrada. A técnica profana. Um camponês, com toda a naturalidade, põe-se a rezar para o Senhor fazer frutificar a semente lançada no seio da terra. Mas é impossível, quando avaria o motor, pôr-se o técnico a rezar para que Deus lho conserte.

No entanto, o homem da técnica precisa de Deus. A juventude dos países super-civilizados sente a necessidade de outros valores que a máquina lhe não pode dar e, à sua procura, foge para o misterioso oriente. A técnica tem o perigo de reduzir o homem à categoria de uma peça.
Se temos sido surdos à voz do Senhor, não endureçamos hoje os nossos corações. Construamos na nossa vida espaços de silêncio para ouvir a Deus.

Texto extraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet