sábado, 19 de maio de 2018

Maria e a Eucaristia

Leitura Bíblica
"E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão." 
(Lc 24, 30-35)

Comentário
Entre as mudanças pós-conciliares, sobressaem as introduções na celebração da Eucaristia. Antes do Concílio, a missa era em latim. Quando não era cantada, os cristãos ou estavam em silêncio ou se entretinham a rezar outras orações. Em muitos lados, chegou-se até a rezar o terço em alta voz, enquanto o sacerdote, sozinho, seguia com a missa. Os altares estavam distantes, os fiéis no fundo da igreja. O celebrante, voltado para a parede, celebrava de costas para o povo.
A Comunhão era, praticamente, considerada como algo independente da missa. Poucos cristãos comungavam e, geralmente, faziam-no fora da missa. A concelebração não existia. Falava-se muito da missa como Sacrifício do Calvário, mas nada se dizia dela como banquete sagrado, Ceia do Senhor, manifestação da Igreja reunida. E assim por diante.

Em muitos destes comportamentos, a Igreja tinha-se afastado do Evangelho. A renovação que se verificou - e que ainda não foi totalmente posta em prática - não é apenas um adaptar-se aos tempos presentes. É também um regresso ao sentido evangélico da Ceia do Senhor, um esforço por procurarmos realizar melhor aquilo que o Senhor quis. Por isso, o novo missal define assim a missa: «A Ceia do Senhor ou Missa é assembleia sagrada ou reunião do Povo de Deus, congregado sobre a presidência do sacerdote para celebrar o memorial do Senhor» (OGMR 7). E noutro lado diz que a Missa é acção de Cristo e do Povo de Deus (Id 1). Portanto, a missa não é tarefa do padre sozinho. A missa deve ser celebrada por todo o povo, exercendo cada um a função que lhe compete: o padre a presidir; os leitores a ler; os acólitos a servir; os cantores a cantar e todos a participar activamente. É toda a Igreja, isto é, toda a assembleia, que deve celebrar a Ceia do Senhor.
O mandato de Cristo, «fazei isto em memória de Mim», é uma ordem para todos os cristãos. Por isso, o ministro da Eucaristia é todo o Povo de Deus, hierarquicamente reunido, e não apenas o padre.

Não temos nenhum texto que nos diga explicitamente se Maria participou na Eucaristia. Podemos, contudo, supô-lo sem perigo de exagerar. Também aqui Maria sofreu uma grande mudança. Ela estava habituada aos sacrifícios judaicos em que se imolavam animais, ofereciam pães e frutos da terra. A missa era diferente. Mas com que fervor a Senhora recordaria a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, Seu Filho?

Siglas:
OGMR - (Nuevas normas de la Misa. Ordenación General del Misal Romano, 1969.)

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Maria e o crescimento dos filhos de Deus

Leitura Bíblica
"Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens." 
(Lc 2, 51-52)

Comentário
Chamam-se sacramentos de iniciação cristã o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia. Se uma pessoa adulta, não baptizada, pedir para entrar na Igreja, primeiro é preparada para o Baptismo, durante um período mais ou menos longo de catequese ou catecumenado. Antigamente, este período chegou a durar três anos. Actualmente, está a organizar-se em diversas dioceses. Sobre este ponto o Concílio falou bastante. Eis um dos textos: «Restaure-se o catecumenado dos adultos com vários graus, a praticar segundo o critério do Ordinário do lugar, de modo que se possa dar a conveniente instrução a que se destina o catecumenado e santificar este tempo por meio de ritos sagrados que se hão-de celebrar em ocasiões sucessivas» (LS 64).
E noutro lado diz: «O catecumenado não é uma exposição de dogmas e preceitos, mas uma formação e uma aprendizagem de toda a vida cristã.» (AG 14).

Uma vez que o adulto, durante o catecumenado, se preparou para o baptismo, recebe, numa única celebração, o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia. Neste caso, o baptismo e a confirmação são administrados na missa, após a homilia. A hora própria desta celebração é a Vigília da Páscoa. Assim, nesta noite santa, a Igreja, celebrando a ressurreição de Cristo, recebe no seu regaço os seus novos filhos, renascidos da água e do Espírito Santo.
Ao começo, o baptismo não estava separado da confirmação. Foi ao generalizar-se o baptismo das crianças e devido à urgência de perigo de morte, que se começou a dar o baptismo às crianças moribundas, ficando a confirmação reservada ao bispo, o qual a concedia nos dias solenes da Páscoa e do Pentecostes.

Actualmente, a pastoral católica esforça-se por regressar à antiga tradição. Acontece que, tendo perdido de vista a unidade dos três sacramentos de Iniciação Cristã, estávamos a dar às crianças a comunhão e até a penitência, antes de serem confirmadas. É uma prática que é preciso rever. A ordem da recepção dos sete sacramentos é esta: Baptismo, Confirmação e Eucaristia. E não como estamos a fazer: Baptismo, Penitência, Eucaristia e Confirmação. Antes de serem admitidos à Eucaristia as pessoas devem ser crismadas, ou confirmadas. Peçamos a Maria, Mãe da Igreja, que vele pelo crescimento progressivo e ordenado dos seus filhos.

Siglas:
AG - Ad Gentes (Decreto sobre a atividade missionária da Igreja)

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Maria, Mãe dos cristãos

Leitura Bíblica
"Por aqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no Jordão. Quando saía da água, viu serem rasgados os céus e o Espírito descer sobre Ele como uma pomba. E do céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus todo o meu agrado.»" 
(Mc 1, 9-11)

Comentário
O Concílio não trouxe apenas a renovação de liturgia da missa. Reformou também a liturgia dos sacramentos e sacramentais. A este propósito, ordena o seguinte: «Faça-se uma revisão dos sacramentos, tendo presente o princípio fundamental duma participação consciente, activa e fácil dos fiéis, bem como as necessidades do nosso tempo» (SL 79). Quanto ao Baptismo, em concreto, numa série de parágrafos, manda rever a sua liturgia e pede para se organizar o catecumenado (SL 64-70). Entre nós, já entrou em vigor o novo Ritual do Baptismo das Crianças. Este trouxe algumas alterações no modo de baptizar, tais como a exigência da presença da mãe, os baptismos comunitários, a supressão do sal, etc.

(Neste ponto, seguimos o Ritual do Baptismo das Crianças (RBC), já que o do Baptismo dos Adultos ainda não está publicado entre nós). 
O baptismo deve ser comunitário, pois deve ser toda a comunidade cristã a receber no seu seio os novos membros (cf. RBC, 27); enquanto possível, deve realizar-se ao domingo, dia da Ressurreição, para manifestar a sua união com a Páscoa, podendo mesmo fazer-se após a Liturgia da Palavra da missa dominical (RBC 9). Por isso, o Círio Pascal deve estar junto da pia baptismal (RBC 25).
O baptismo pode ser em forma de banho, o que torna mais evidente o seu significado pascal (RBC 22). Por isso o baptismo pode ser enchido com água corrente, em forma de nascente ou de rio (RBC 25). Se for necessário, a água baptismal pode ser aquecida (RBC 20). Na celebração baptismal deve ler-se sempre a Bíblia, numa celebração da Palavra, como está previsto no RBC, 23.

Os pais têm um papel importantíssimo no baptismo dos filhos. São eles que apresentam a criança à Igreja para ser baptizada. São eles os principais responsáveis pela educação da criança na fé. Por isso, se os pais não oferecerem garantia de, no futuro, educar o filho na fé cristã, a Igreja não o baptiza. 
Na celebração do baptismo dos filhos, ainda pequeninos, são os pais os primeiros a professar a fé em nome dos baptizados, pelo que exercem, nesse acto, um mistério litúrgico próprio. Por isso, devem preparar-se para o baptismo dos filhos (RBC 8 e 25). A mãe deve estar presente na celebração do baptismo, pertencendo a ela cuidar da criança enquanto é baptizada (RBC 8). Neste ministério, a mãe é uma figura de Maria e da Igreja, gerando novos filhos para Deus.

Siglas:
SL - Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Maria, Sacramento da Igreja

Leitura Bíblica
"Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os seus discípulos perguntaram-lhe, então: «Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?» Jesus respondeu: «Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. Temos de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode actuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.» Dito isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe: «Vai, lava-te na piscina de Siloé» - que quer dizer Enviado. Ele foi, lavou-se e regressou a ver. Então, os vizinhos e os que costumavam vê-lo antes a mendigar perguntavam: «Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola?» Uns diziam: «É ele mesmo!» Outros afirmavam: «De modo nenhum. É outro parecido com ele.» Ele, porém, respondia: «Sou eu mesmo!» Então, perguntaram-lhe: «Como foi que os teus olhos se abriram?» Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai à piscina de Siloé e lava-te.’ Então eu fui, lavei-me e comecei a ver!»" 
(Jo 9, 1-11)

Comentário
O Sacramento é um sinal visível duma realidade invisível. É um sinal natural que torna presente uma realidade sobrenatural. O princípio fundamental da teologia dos sacramentos é a verdade da Encarnação. Neste mistério, Deus invisível, segundo a Sua natureza divina, torna-se visível segundo a nossa natureza humana. Por isso, afirma que Cristo é a «imagem (visível) do Deus invisível» (Col 1, 15). Assim Cristo é o «Sacramento de Deus». Isto é, Ele é o sinal visível onde o Deus invisível se nos manifesta e se nos torna presente.
Mas o sinal sacramental não é um sinal estático, parado. Geralmente é um sinal dinâmico, uma «acção». Assim Cristo, actuando, era sinal eficaz da presença de Deus. Por isso, diz o Concílio que «a divina revelação se realiza por meio de «acções» e de «palavras», intimamente relacionadas entre si» (DV 2).

Nós, os católicos, admitimos sete sacramentos, isto é, sete «acções sagradas» que significam e realizam a nossa salvação. Este número septenário - além de biblicamente significar plenitude - está relacionado com os sete movimentos principais da vida humana: nascimento, crescimento, alimento, mudança de rumo, morte, procriação e paternidade espiritual. Mas estes sacramentos são sacramentos da Igreja, a qual, por sua vez é «sacramento de Cristo». Quer dizer, a Igreja ou os cristãos reunidos e activos no nome de Cristo, tornam-n'O presente e manifestam-n'O ao mundo, segundo a palavra do Senhor: «Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 20), «Nisto conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35).

A Igreja é o sacramento, isto é, o sinal visível que torna Cristo presente, visível e actuante para os homens do nosso tempo. Por isso o Concílio define-a como sacramento universal de salvação.
Nesta perspectiva, Maria é sacramento da Igreja, no sentido de que Ela é anúncio e imagem da Igreja. O Concílio proclama: «A Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo» (LG 63); como Maria, a Igreja é também «virgem e mãe» (idem); «a mãe de Jesus, glorificada já em corpo e alma, é a imagem e início da Igreja que há-de ter a sua consumação no futuro» (LG 68).
Maria não concentra em si toda a Igreja, mas é, para nós o seu sinal, tanto na sua vida terrena, como na sua vida na Glória. Na vida terrena é a imagem da Igreja peregrina; na vida celeste, a da Igreja Glorificada.

Siglas:
LG -  Lumen Gentium (Constituição Dogmática sobre a Igreja)

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

terça-feira, 15 de maio de 2018

Maria e a união dos cristãos

Leitura Bíblica
"«Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim. Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste, para que contemplem a minha glória, a glória que me deste, por me teres amado antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas Eu conheci-te e estes reconheceram que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a conhecer quem Tu és e continuarei a dar-te a conhecer, a fim de que o amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também.»" 
(Jo 17, 20-26)

Comentário
Além de outras diferenças menores, podemos classificar os cristãos em três grandes grupos: católicos, ortodoxos e protestantes. Os ortodoxos são os cristãos orientais separados de Roma; os protestantes são os cristãos ocidentais também separados de Roma. Os ortodoxos e os católicos cortaram as relações por volta do ano mil da nossa era; os protestantes fizeram-no no século XVI.
É diferente a posição dos irmãos separados com relação a Nossa Senhora. Os ortodoxos ou orientais «proclamam com belíssimos hinos a grandeza de Maria sempre virgem» (UR 15), enquanto que, entre nós e os protestantes, «existem não pequenas discrepâncias sobre o papel de Maria na obra da salvação» (UR 20). Apesar de tudo, o Concílio exorta vivamente «todos os cristãos orientais e ocidentais... a que façam frequentes e mesmo quotidianas orações a Deus para que, com o auxílio da Mãe de Deus, todos sejam um» (OE 30).

Afirma o Concílio: «Nesta una e única Igreja de Deus já desde os primórdios surgiram algumas cisões... que aumentaram com o andar dos séculos, algumas vezes não sem culpa dos homens dum e do outro lado» (UR 3). Por isso os Padres Conciliares batem no peito, dizendo: «Pedimos humildemente perdão a Deus e aos irmãos separados, assim como nós perdoamos também àqueles que nos ofenderam» (UR 7). E, como caminho para a reconciliação, propõem a renovação: «Toda a renovação da Igreja consiste essencialmente numa maior fidelidade à própria vocação. Esta é, sem dúvida, a razão do movimento da unidade. A Igreja peregrina é chamada por Cristo a essa reforma perene. Como instituição humana e terrena, a Igreja necessita perpetuamente dessa reforma. Assim, se em vista das coisas e dos tempos houve deficiências, quer na moral, quer na disciplina eclesiástica, quer também no modo de enunciar a doutrina - modo que deve cuidadosamente distinguir-se do próprio depósito da fé - tudo seja recta e devidamente restaurado no momento oportuno» (UR 6). Nesta mesma linha em relação ao culto mariano, diz o Concílio: «Aos teólogos e pregadores da palavra de Deus, exorta-os instantemente a evitarem com cuidado tanto um falso exagero como uma demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus... Evitem, com cuidado, nas palavras e atitudes, tudo o que possa induzir em erro acerca da autêntica doutrina da Igreja, os irmãos separados ou quaisquer outros» (LG 67).

Se há divergências entre os cristãos, é muito mais aquilo que nos une, do que aquilo que nos separa. Acentuemos o que nos une: Todos acreditamos no mesmo Deus uno e trino. Todos confessamos a Cristo como Senhor e Salvador. Todos temos a mesma Bíblia que contém a Palavra de Deus escrita. Todos acreditamos no mesmo Baptismo pelo qual somos incorporados em Cristo. Todos admitimos a Ceia do Senhor, embora não estejamos de acordo quanto à sua natureza. Todos possuímos o património comum da vida da Igreja e da sua história milenária.
Que nos separa? Coisas muito importantes, sem dúvida, mas secundárias com relação ao que nos une. Portanto, «reconhecendo toda a legítima diversidade, promovamos na própria Igreja a mútua estima, respeito e concórdia» (GS 92).

Siglas:
GS - Gaudium et Spes (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo)

LG -  Lumen Gentium (Constituição Dogmática sobre a Igreja)

OE - Orientalium Ecclesiarum (Decreto sobre as Igrejas Orientais)

UR - Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o Ecumenismo Unitatis Redintegratio 

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Maria e a Vida em Igreja

Leitura Bíblica
"«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»" 
(Jo 15, 1-8)

Comentário
Viver em igreja é viver em comunidade. Cada um dos que acreditamos em Cristo não vivemos a nossa fé, esperança e caridade sozinhos, mas em grupo. A comunidade eclesial deve ser um espaço onde os crentes se sintam bem, estimem e sejam estimados, compreendam e sejam compreendidos. Na prática, porém, que sucede? Que a maioria das nossas comunidades não o são de facto. Em muitas paróquias, os paroquianos não se conhecem. Celebram a Eucaristia juntos, mas vivem como estranhos em relação aos outros. E mesmo onde se conhecem, não têm consciência de serem uma comunidade. A igreja foi-lhes apresentada como uma coisa abstracta, não como um grupo de irmãos empenhados.

Para a massa dos cristãos, pertencer à Igreja é ser baptizado, ir à missa aos domingos, casar-se pela igreja e ter funeral cristão. A Igreja aparece-lhes, não como uma comunidade à qual pertencem, mas como meio de se salvar na outra vida, de não ir para o inferno. Ora isto é muito pouco. É aqui também onde radica o maior fracasso das nossas comunidades paroquiais.
Não são comunidades vivas, antes são uma companhia de seguros para a outra vida ou, então, um mercado onde o papa e os bispos são os proprietários e os leigos os fregueses. Nesta perspectiva, o que anima as pessoas não é o espírito de família ou de amizade, robustecido pela fé, mas sim pôr velas a santos, ou fazer promessas, temer os castigos de Deus.

As nossas comunidades cristãs deviam «viver em amor», realidade para a qual os primeiros cristãos inventaram uma nova palavra grega - «ágape». É o amor de Deus difundido nos nossos corações que nos leva a amar os nossos inimigos.
Deviam «viver em comunhão» de bens e de corações, como os primeiros cristãos.
Deviam «viver em serviço» ou diakonia: serviço da Palavra, da caridade e da autoridade.
Finalmente, deviam «viver em pobreza», que consiste em contentar-se com o necessário, segundo o conselho do Apóstolo em 1 Tm 6, 7-10. 
Se conseguíssemos comunidades a viver este ideal, então teríamos realmente a Igreja de Cristo e de Maria.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

domingo, 13 de maio de 2018

Maria, Mãe da Igreja

Leitura Bíblica
"Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.»" 
(Jo 19, 25-27)

Comentário
Em Maria, por assim dizer, temos duas maternidades: uma cheia de alegria, outra cheia de tristeza. Na primeira nasce Cristo, na segunda morre Cristo. Em Belém é mãe de Cristo; no Calvário, mãe da Igreja. Em Belém tem um presépio; no Calvário, uma cruz. Na alegria, gera Cristo-Cabeça; na tristeza, os membros de Cristo, a Igreja.
No encerramento da III Sessão do Concílio Ecuménico, Paulo VI proclamou a Senhora «Mãe da Igreja», dizendo: «Para a glória da Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis, como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima: e queremos que, com este título suavíssimo, seja a Virgem doravante ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão».

Diz o Concílio: «A Santíssima Virgem encontra-se também intimamente unida à Igreja, pelo dom e cargo da maternidade divina, que a une com o Filho Redentor, e ainda pelas suas graças e prerrogativas singulares: a Mãe de Deus é figura da Igreja, como já ensinava Santo Ambrósio, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. De facto, no mistério da Igreja, a qual também se chama, com razão, virgem e mãe, pertence à Santíssima Virgem o primeiro lugar por ser de modo eminente virgem e mãe. Pois pela sua fé e obediência, gerou na terra, o próprio Filho de Deus Pai, sem conhecer varão, mas pelo poder do Espírito Santo, acreditando sem hesitar, qual nova Eva, não na antiga serpente mas no mensageiro divino. Deu à luz o Filho, a quem Deus constituiu primogénito entre muitos irmãos (cf. Rom 8, 29), isto é, entre os fiéis em cuja geração e formação Ela coopera com amor de mãe» (LG 63)*.

A Igreja, contemplando a santidade misteriosa de Maria, imitando a sua caridade e cumprindo fielmente a vontade do Pai, pela palavra de Deus fielmente recebida, torna-se também ela mãe pela pregação, e pelo baptismo gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos pelo Espírito Santo e nascidos de Deus. É também virgem que guarda a fé jurada ao esposo, íntegra e pura, e, à imitação da mãe do Senhor, conserva, pela graça do Espírito Santo, virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança, sincera a caridade» (LG 64)*.

*LG - Lumen Gentium (Conciliação Dogmática sobre a Igreja)

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet