domingo, 20 de maio de 2018

Maria e a Penitência

Leitura Bíblica
"Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas. Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos. E toda a criatura verá a salvação de Deus.’» João dizia, então, às multidões que acorriam para serem baptizadas por ele: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para chegar? Produzi frutos de sincero arrependimento e não comeceis a dizer para convosco: ‘Nós temos Abraão como pai’; pois eu vos digo que Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão. O machado já se encontra à raiz das árvores; por isso, toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.» E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.» Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.» Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.»" 
(Lc 3, 3-14)

Comentário
A mensagem de Nossa Senhora em Fátima foi sintetizada em duas palavras: Penitência e Oração. Penitência, em sentido bíblico, não deve entender-se, principalmente, como sacrifício corporal. A penitência bíblica é, antes de mais, mudança de vida, conversão; é arrependimento e renúncia ao caminho do mal, para trilhar os caminhos do Evangelho. Deus, com efeito, não tem prazer em nos ver sofrer. O que Ele quer é que caminhemos na luz, renunciando às obras das trevas.
Ora isso, implica sofrimento ao submeter tendências, cujo bem particular delas está em conflito como bem total da pessoa. Por exemplo, ter tendência para comer é bom. A falta de apetite é um mal, uma doença. Mas, se o meu apetite me levasse a comer o que é do vizinho, então tal tendência, boa em si, tornava-se um mal para o conjunto da pessoa e da sociedade. Isto aplica-se também às tendências sexuais, boas em si, e a outras parecidas. Por isso, é que a penitência pode também implicar sofrimento, ao levar-nos a submeter o bem particular das tendências ao bem geral da pessoa e da sociedade.

O sacramento da Penitência é o sinal sensível da conversão. Converter-se é mudar de rumo. É encetar uma vida nova segundo o Evangelho. Esta mudança é efeito da graça de Deus. Por isso, o que se converte deve dar glória a Deus. Deve manifestar que a vida nova que começa lhe advem pelo Mistério Pascal de Cristo. Por isso, o principal sacramento da Penitência, isto é, da mudança de vida, é o Baptismo. Na verdade, por este sacramento, o recém-baptizado compromete-se a pôr de parte uma vida de trevas, uma vida mundana, para começar uma vida nova segundo os princípios e critérios evangélicos.

Acontece, porém, que às vezes alguns baptizados voltam atrás. Regressam à vida pecadora que levaram antes do baptismo. É uma desgraça. Faltam aos seus compromissos baptismais. Se se converterem, deve também manifestar esta conversão por meio dum gesto sensível. Devem reconciliar-se com Deus e com a Igreja, de quem se afastaram pelo pecado. A maneira de significar este regresso à Igreja, da qual se afastaram por uma vida indigna de cristãos, tem sido diferente através de séculos. Na disciplina actual, requere-se, ao menos, a confissão privada dos pecados graves. Estão, porém, a fazer-se, quase por toda a parte, celebrações comunitárias da penitência. Estas celebrações, recomendadas pela Igreja, têm o mérito de pôr em relevo a dimensão social da penitência.

Texto estraído do livro: Mês de Maria pela Bíblia, da Difusora Bíblica
Imagem: Internet

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